domingo, 6 de março de 2011

Meus tempos de EsTaGiÁrIo

Minha vida profissional não é nada extensa. Minha primeira experiência de trabalho fora casa foi um estágio de 02 anos no Ministério Público do Estado de Rondônia.


Meu ingresso na instituição foi bem justa em relação às modalidades de concessão de estágio que existe na atualidade em muitos órgãos públicos de Rondônia. Na época, em 2004, cursava o 2º ano do Ensino Médio e tinha 17 anos de idade. Para o estágio por passei algumas seleções, sendo a primeira delas o fato de estudar em escola pública, depois por até então ter uma baixa renda familiar, em seguida fui convidado a fazer uma prova, na verdade, uma redação na sede do MP-RO.

Para minha falta de sorte, na manhã do dia que aconteceu a prova caiu uma forte chuva na cidade, o que me trouxe alguns transtornos. Como fui de ônibus, ao chegar no Centro, a chuva se intensificou, e pelo fato do MP ficar na num bairro ao norte do Centro, e pela minha determinação de querer estagiar no Ministério Público, acabei enfrentando a chuva a pé até a sede da instituição... mesmo assumindo o risco de chegar ensopado, o que de fato aconteceu.

Logo na porta do prédio, um senhor que depois vim saber que seu nome é Rui e o mesmo era Assistente Jurídico da Procuradoria de Justiça, perguntou seu "descobri que a chuva molha" num tom que eu não soube identificar se era de chacota, ironia ou amistosidade.

O lado bom é que eu havia chegado a tempo, e o ruim é que me encontrava com as roupas muito molhadas e o ar-condicionado estava nas últimas. Ao entrar na sala de treinamento estava uma senhora que mais tarde soube se tratar da senhora Carmem, psicóloga do MP.

Me tremia todo, mas mesmo assim consegui fazer a prova, que como disse era uma redação, cujo tema era livre, sendo que havia adotado um tema atual sobre as fortes chuvas que havia causado grandes destruições do sul do Brasil, e era notícia em todos os noticiários.

Fiquei dias ávido pela notícia de aprovação, e quando a recebi providenciei imediatamente os papéis para o ingresso e mobilizei minha mãe, pelo fato de ser menor. Já admitido no quadro de estagiários administrativos do MP, a senora diretora do DRH me lotara na Procuradoria de Justiça, que ocupava o sexto andar inteiro e parte do quinto, sem falar na Procuradoria Geral que ficava no sétimo.

Confesso que nos primeiros dias quis desistir, e inclusive cheguei a pedir para ser colocado em outro lugar, mas não teve jeito, me mantiveram ali durante os todo o contrato de estagio. O lado bom foi que me habituei, mesmo o trabalho sendo muito exaustivo.

Bom, quanto ao trabalho o que posso dizer... era apenas pelo período da manhã, e as atividades executadas por estavam loge de me garantir uma boa experiência profissional. Resumindo: eu e o outro estagiário que atendia comigo naquele andar revesávamos nas atividades de rotina, como pegar jornais e correspondências no Departamento do Serviços Gerais, pegar processos no cartório (no térreo) e distribuí-los, assim como os jornais e correspondências, para os procuradores de justiça, sendo que os processos de hábeas corpus (réu preso) tinham que ser distribuídos com a maior celeridade possível, e por algumas vezes, dentre as muitas em que os elevadores não funconavam, me via puxando o carrinho de processos até o sexto andar.

Outra atividade que fazíamos, e a que detestava era a de pagar contas nos bancos para pagar contas dos procuradores. E na maioria das vezes quando chegava no Departamento de Transporte para algum motorista me deixa no banco, um ficava passando pro outro, como um bando de preguiçosos, e como tinha que ir para a escola na parte da tarde e considerando que filas em bancos são imprevisíveis, resolvia ir andando mesmo, o que era até um risco que assumia por preguiça dos outros, uma vez que carrega grandes quantias pela rua e podia corres risco de ser assaltado ou de sofrer alguma acidente. Mas o que importava era que eu sempre dava conta do recado. Ah! E o procurador que mais pediu pra eu ir ao banco era o Sr. Edmilson Fonseca... confesso que não suportava quando recebia a ligação da sua secretária, a Sr. Liliana.

E por sempre atender as expectativas me deu um certo transtorno, pois na maioria das vezes as secretárias dos procurados tinham preferiam que eu fizesse as coisas em vez dos outros, o que apesar de geralmente ter me apresentado sorridente me rendia momentos de muita exaustão.

Quanto à bolsa, bom, fico até desconcertado de dizer, mas acredite, era apenas R$ 150,00 e auxilio transporte (o procurador Vitach havia reduzido o valor das bolsas de estagiários quando assumiu a Procuradoria Geral de Justiça do MP). E pasmem, desse valor ainda era descontado uma quantia de restituição do auxilio tranporte, que mais tarde vieram a cancelar. Se isso serve para amenizar a notícia, quando estava perto de sair do MP o novo Procurador-Geral do MP aumento pra R$ 200,00 o valor da bolsa dos estagiários administrativos.

Eu e o outro estagiário ficávamos na sala da Sr. Maria Lebre (secretário do Procurador Thomé), pois na sala havia mais espaço, uma vez que não havia uma outra secretária (que seria do Procurador-Geral Vitach, que estava no sétimo andar). A Sr. Maria Lebre foi uma das pessoas mais especiais que conheci naquele prédio inteiro! Ela era muito bacana comigo e com o outro estagiário, sempre perguntando se nós precisávamos de alguma coisa, ou ajuda. E me lembro que, como nós comprávamos pão e café para os servidores numa padaria próxima, a Sr. Maria se irritava quando eu me recusava a aceitar comprar algo pra mim com o dinheiro dela... dizia que eu nunca aceitava nada. E de fato evitava o máximo a aceitar coisa de qualquer pessoa. Fruto de uma educação muito rígida por parte da minha mãe, que apenas com o olhar, quando eu era menor, me dizia pra negar qualquer coisa que alguem me oferecesse... hoje imagino que aquilo era um "orgulho de pobre".

A Sr. Maria Lebre era uma outra mãe naquele lugar, e não só pra mim como também para as pessoas que trabalhavam com ela. E por incrível que pareça era secretariava o procurador mais amistoso e simpático do Ministério Público. O Procurador Thomé era o único dos vários que se lembrava que era mortal, e que um dia teve educação. Apesar termos sido esclarecidos se sempre cumprimentar as pessoas no prédio, mesmo que não fossemos atendidos, o Procurador Thomé era o úncia que se antecipava, muito diferente de outros que se recusavam a retrbuir um bom dia, mesmo o cumprimento tendo sido feito num elevador. O respeito que o Procurador Thomé usava para com os outros era o mesmo dispensado aos estagiários, secretários e zeladores. Não me esqueço que eu e meu colega estagiário até fomos agraciados por ele com uma caixa de bombons de chocolate na véspera da Páscoa!

Uma situação desconcertante pela qual passei foi com o Procurador Miguel Mônico. A primeira vez que foi entregar processos pra ele, logo ao chegar na sala, eu perguntei se era a da secretaria do Sr. Miguel Mônico, quando então um senhor de terno e gravata se virou e disse que não havia nenhum senhor Miguel Mônico ali, e saiu. Confuso, eu olhei perdido para a secretaria... foi quando ela me falou que aquele senhor de terno era o próprio Miguel Mônico, mas que o mesmo fazia questão de ser chamado de "doutor". Desde então, enquanto estagiário, sempre chamei todos os procuradores de doutores. Hoje me recuso a chamar qualquer um de doutor, exceto se tiver algum doutorado.

No cartório da procuradoria encontrei duas pessoas muito bacanas, as senhoras Hayley e Roséli. Ambas muito competentes, sendo a primeria um poço de tranquilidade (não conseguia imaginar aquela mulher com raiva). Eram elas que nos ligavam pedindo para pegarmos os processos. Ao chegar elas nos mostrava as pilhas e nos davam um via de recebimento. Eram tantos que sempre usávamos os carrinhos que ficavam encostados no canto da sala.

Na Procuradoria de Justiça eu e o outro estagiário tínhamos que atender além dos Procuradores, as secretárias e os Assessores Jurídicos, sendo que em determinado período se encontrava por lá uma assessora que no futuro viria a ser minha professora de Processo Penal, a Sr.ª Marecélia, hoje associada ao advogado José Viana, que também foi membro do MP-RO e também foi meu professor de Processo Penal na Faculdade de Direito.

E foi nessa temporada de estágio no MP que aprendi a usar o termo "Muito ThankYou". A secretária no Procurador Ivo Bentiz, a Sr.ª Maristela (que ficava no quinto andar) costumava me agradecer assim, e desde então não me esqueci., e de vez em quando ainda falo também.

Outra coisa que eu detestava e só agora posso falar, é O Requentado. Praticamente todo o mês o Procurador Jackson Abílio inventava de renunir num papel algumas piadas inteligentes que mandava distribuir para inúmeras pessoas, tanto do estado como pra fora também. E imprimir e envelopar centenas desse papel sobrava para sua secretária, a Sr. Vera e a para os estagiários.

Apesar do estagio do MP-RO não ter me servido de quase nada depois que saí de lá, confesso que não me arrependo do período que estive lá, pois lá aprendi a cumprir horários, a ser mais educado, além de ter tido a oportunidade de participar do funcionamento de órgão que julgo ser o melhor do estado de Rondônia, tanto em estrutura quanto em organização. O prédio, que hoje está prestes a inaugurar uma novo torre, compreende inúmeros setores do MP-RO, como, além da Procuradoria Geral de Justiça, a Procuradoria, a Promotoria, os Cartórios, uma agência bancária, biblioteca, um super auditório, um avançado Departamento de Tecnologia e Informática, um Departamento Médico, e muito mais. Tudo isso são coisas que não vemos em qualquer órgão público, inclusive entidades como o DETRAN/RO deixam muito a desejar quanto à estrutura.... aliás, o DETRAN/RO deixa a desejar em muita coisa.

Nesse sucinto relato é possível comparar e constatar que vida de estagiário não é fácil, principalmente antigamente, uma vez que hoje os mesmos ganharam alguns direitos, sendo o melhor deles o das férias sem prejuízo da bolsa. Entretanto, pelo menos em Rondônia, enfrentamos uma situação muito séria quanto à admissão de estagiários em órgãos públicos. Não se o MP-RO ainda mantem a existência de uma seleção para compor seu quadro de estagiários administrativos e de ensino superior, mas hoje, no DETRAN/RO pelo menos, tenho conhecimento que não existe nenhuma seleção para admissão de estagiários. A regra é a indicação política, isto é, além de cargos em comissão usam vagas de estagio como meio de barganha política... e pior, uma entidade que imaginava ser séria é conivente com isso, o CIEE. Pensave que o Centro de Integração Empresa Escola servisse para selecionar estagiários para o órgão que a contrata, entretanto quem escolhe é o representante do órgão, que possivelmente manda o mesmo se cadastrar no CIEE por mera formalidade.

Na minha singela opinião isso é uma grande imoralidade para órgão/entidade da Administração Pública que adota essa prática. O mais sensato é que se haja um meio de selecionar estagiários sem privilégios, oras, além do MP/RO, MPF e da Defenoria Pública, órgãos do Judiciário também realizam concurso para ingresso de estagiários a muito tempo, como o TJ, o TRF, TRT, TRE. E com toda certeza, os problemas com indisciplina são bem menores quiçá nulos, nesses órgãos em vez do DETRAN/RO por exemplo, que insiste nessa forma nada justa de compor seu quadro de estagiário... o lado bom é que dentre esses alguns são bons. Mesmo porque, o DETRAN/RO, peca em outro ponto, no de em alguns casos não lotar estagiários de ensino superior para atuar nas suas devidas áreas de formação, mas nesse ponto o DETRAN/RO não é o único que peca.
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