domingo, 15 de outubro de 2017

Casarão dos Ingleses em Porto Velho



Chegamos até o "Casarão dos Ingleses" através de uma pequena trilha atrás do Monumento ao Primeiro Centenário da Independência do Brasil (1822-1922) no povoado de Santo Antônio. Antes a trilha estava isolada, pois até então avisos diziam se tratar propriedade da Hidrelétrica de Santo Antônio.

CONFIRA O QUE UMA PUBLICAÇÃO NO SITE GENTE DE OPINIÃO FALA SOBRE A CONSTRUÇÃO

1959
Manoel Rodrigues Ferreira, em "A Ferrovia do Diabo", 4ª edição, pág. 130 transcreve parte do livro de Bernardo da Costa e Silva, intitulado "Viagens no Sertão do Amazonas", publicado na cidade do Porto, em Portugal, em 1891, onde se lê que o autor ao descrever o povoado de Santo Antônio nos fala do Casarão da seguinte maneira:

Mais adiante, havia outra grande casa num alto, que desfrutava toda a entrada do porto, e nela eram os escritórios principais da companhia no primeiro andar, e no segundo, residência.

 A Companhia a qual se refere Bernardo da Costa e Silva é a P. T. Collins, de propriedade dos irmãos Phillip e Thomas Collins (e não Paul e Tom Collins como quer um certo jornalista), cujos engenheiros chegaram a Santo Antônio no dia 19 de fevereiro de 1878, passaram a ser chefiados por Thomas Collins a partir de março, e partiram em 19 de agosto de 1879, vencidos pelas doenças e as péssimas condições de trabalho.

Neville B. Craig, engenheiro sobrevivente da P. T. Collins, publicou em 1907, o livro "Estrada de Ferro Madeira-Mamoré - História trágica de uma expedição", traduzido e publicado no Brasil pela Companhia Editora Nacional em 1947, onde se lê na página 198, a primeira notícia sobre a construção do Casarão, em 19 de março de 1878, logo após chegada de Thomas Collins:

Sobre um elevado outeiro de onde se avistava o rio com suas cachoeiras, para cima e para baixo, foram lançadas as fundações para o edifício central da administração da estrada. Ao contrário das outras, esta construção deveria ser de natureza permanente. Fora projetada para se destacar como o prédio mais evidente do lugar: dois andares circundados por varandas com 3 m de largura. O primeiro pavimento destinava-se exclusivamente a escritórios e o segundo seria dividido em cômodos  espaçosos e serviria de residência aos principais funcionários da estrada, em Santo Antônio.

Praticamente todos os escritores que passaram por Santo Antônio, depois da P. T. Collins, falaram do Casarão solidamente edificado em frente à cachoeira de Santo Antônio. Porém, vamos continuar com as informações de Neville Craig e a descrição que ele faz ao voltar de Jaci Paraná, na página 354 do seu livro:

Ao desembarcar em Santo Antônio, no dia 11 de outubro de 1878, vimos que a construção primitivamente usada para sede dos engenheiros fora abandonada. O novo prédio do escritório estava terminado e nele se instalaram os engenheiros, empreiteiros e empregados.

Conquanto destituído de qualquer ornamentação, o edifício era sólido, admiravelmente adaptado ao clima, muito bem localizado e consideravelmente superior a qualquer outro existente nas margens dos rios, acima do Pará.

Neville B. Craig segue descrevendo as particularidades do prédio, as quais deixamos de nomear por fazerem parte das primeiras citações, no entanto, o que nos chama a atenção é que o prédio é descrito com "de dois andares circundado por varandas de 3 m de largura" e o tempo recorde (19 de fevereiro a outubro de 1878) em que ele foi construído.

A importância da informação de Craig é nos levar à conclusão de que a edificação era retangular ou quadrada e, portanto, não possuía os acréscimos laterais que se observa hoje, e a ausência das varandas laterais nos dois pavimentos do prédio, restando apenas no lado da cachoeira, vestígios dessas varandas na parte inferior.

Considerando, portanto, a informação de quem participou indiretamente da construção do Casarão, no mês de outubro de 2008, o prédio em questão estará completando 130 anos de existência.

Assim, senhores funcionários de Furnas, acreditamos estar esclarecido que o Casarão foi construído pela P. T. Collins, em-presa americana e não pelos ingleses.

Consta dos estudos para construção das hidrelétricas que o casarão será "reconstruído" (construído uma réplica) em outro lu-gar, o que nos leva à conclusão de que o verbo "reconstruir" está empregado de maneira incorreta, na tentativa de enganar os su-postos incautos filhos desta terra.

Em sendo verdade esta "reconstrução nas proximidades do local atual", só nos resta dizer que qualquer imbecil sabe que não terá nenhum valor histórico. Sabe-se, também, que hoje existem técnicas que permitem mudar de local aquele prédio, sem prejuízo para as tradições históricas do nosso povo.

OUTRO VÍDEO

FOTOGRAFIAS














Repórteres da SICTV (RecordTV) em Porto Velho



Neste vídeo apresentamos os repórteres da afiliada da RecordTV em Rondônia, SICTV, que trabalham em Porto Velho. 

SAIBA MAIS SOBRE A SICTV
A SIC TV (a antiga TV Candelária), afiliada há 23 anos a Record, com suas 22 emissoras, forma hoje a maior rede de televisão do estado, todas elas interligadas via satélite e produzindo a maior e melhor programação regional em Rondônia.

A emissora conta ainda com a melhor e mais consagrada equipe de televisão do Estado, sendo consenso em todas as camadas e classes sociais, a credibilidade e o profissionalismo de seus mais de 200 profissionais.

A SIC produz hoje, semanalmente, mais de 60 horas de programação inteiramente concebida e apresentada no Estado, tendo como principal personagem o cidadão de Rondônia.

Além de realizar programação ao vivo na  de Porto Velho e distribuída via satélite para todo o estado, o interior também tem seus núcleos de produção. Para isso, mantém programação própria na faixa do meio dia, nas cidades de Jaru, Ji-Paraná, Cacoal, Rolim de Moura e Pimenta Bueno.

O jornalismo da SIC TV/Record já consagrado no estado por sua competência, amplitude e credibilidade, possui a maior equipe de profissionais do Estado. São repórteres e cinegrafistas permanentemente focados na participação dos jornais da rede. Estão baseados nas praças de Ji-Paraná, Cacoal, Ariquemes, Jaru, Pimenta Bueno e Rolim de Moura, cada um com a responsabilidade de cobrir sua região. Além disso, conta com a cobertura de Alexandre Badra direto da sucursal de Brasília.

Outro destaque da SIC TV é o pioneirismo na geração do sinal digital HD no estado. A emissora levou ao ar em outubro de 2010, durante o debate dos candidatos ao Governo, o primeiro sinal digital do Estado, seguido dias depois pela Record News Rondônia, outra emissora pertencente ao Sistema Imagem de Comunicação. Só dois anos depois é que as co-irmãs concorrentes começaram a seguir os passos das emissoras pioneiras.

A marca do pioneirismo da SIC TV também chegou ao interior do Estado. Em 3 de março de 2013, o município de Pimenta Bueno, onde se encontra a estação geradora do grupo , foi contemplado com a primeira emissora do interior de Rondônia a gerar sinal digital.

OS REPÓRTERES
Renata Beccária

Elaine Santos

Meiry Santos

Sáimon Rio

Eduardo Kopanakis

Anayr Celina

Larissa Vieira

Pedro Silva

Suelen Celestino

Paulo Besse

Giselle Virgilio (Jaru)

Jana Motta (Ariquemes)

Beatriz Mendes (Ji-Paraná)

(Cacoal)

(Cacoal)

"A Vala" (Canal Rio Candeias-Madeira)



Este canal artificial que liga o Rio Candeias ao Rio Madeira é conhecido como "A Vala". Está localizado no município de Porto Velho, próximo ao centro da "Agrovila Aliança" distante cerca de 50 quilômetros da Sede do Município.

Teria sido construído em 1910 ou 1912 por um seringalista, a fim de facilitar o escoamento de borracha para o Rio Amazonas e assim alcançar o Oceano Atlântico.

LOCALIZAÇÃO
O acesso se dá pela "Estrada da Penal" ou "28 de Novembro". Basta seguir direto passando pelo complexo carcerário de Porto Velho. Depois de vários quilômetros você vai passar por placas indicativas do acesso à BR364 (anel viário) e do acesso ao porto Amaggi. Quando chegar num barzinho; o Barzinho do Cabeça Branca (hoje Cabeça Amarela segundo o próprio - por causa da poeira), basta seguir em frente, no sentido contrário ao Porto Bertolini (que acesso ao Cujubim Grande). Seguindo direto por mais alguns quilômetros chegará na Escola Municipal Chiquilito Erse, logo adiante, perto da escola, é só virar à esquerda e seguir por 8 km até chegar na ponte de madeira sobre o cavaleiro; a vala.



MATÉRIA PUBLICADA NO SITE NEWSRONDÔNIA
O sentindo de alargar fronteiras, vai além de um todo, no que tange apenas a ampliação dos limites do Brasil amazônida. O poder dos seringalistas e os braços dos seringueiros, também conhecidos como “soldados da borracha”, possibilitaram façanhas conhecidas e desconhecidas em meio à floresta. Imaginar que nordestinos fugindo da seca do agreste, e migrando para a Amazônia com um bioma e geografia diferenciada, puderam abri um canal de um quilometro e meio em Rondônia, praticamente um novo rio, ligando assim os Rios Candeias e Madeira, isso sim é algo fantástico, vai além de alargar fronteiras. A vala ou furo do Rio Candeias, é até então pouco conhecido em história por quem vive em Rondônia.

Percorremos o trecho em questão, navegando pelo canal, e percebemos a grandeza de tal obra, podendo imaginar as dificuldades da época para sua construção. Segundo o historiador da Universidade Federal de Rondônia, Dante Fosenca, estima-se que a obra tenha sido concluída em meados de 1910 ou 1912, e que o dono da ideia, seria de um engenheiro português chamado de Dr. Martins. Acredita-se que o mesmo tinha grau de parentesco com o fundador da cidade de Humaitá no Amazonas, o Comendador Monteiro, que possuía seringais as margens do Rio Madeira.

Segundo relatos, o dr Martins era proprietário do seringal Aliança em Cadeias do Jamari, e perdia considerável tempo no transporte de pelas de borracha pelo rio que dava nome a região, pois, por este se seguia até o encontro do rio Madeira.

Para os seringalistas, evidentemente tempo era dinheiro, por isso, para evitar prejuízos e  agilizar o transporte da borracha, dr Martins teria encontrado um ponto de proximidade entre os rios, e a partir desse paralelo teria traçado um caminho, somado ao desafio de desmatar o local em um trecho de 1,5 km, abrindo uma vala em uma região onde 80% do solo era argiloso. Não deve ter sido tarefa fácil, até por que não era de muita utilidade a dinamite, artefato comum nesses tipos de trabalho. Por isso, a maior parte do serviço foi feito pelos braços dos valorosos seringueiros que com pás, picaretas, inchadas, serras e machados; abririam a floresta e cavariam um canal por onde seria possível navegar com regatões e pequenas embarcações. Estas transportariam o ouro branco, a borracha, diminuindo distancias geográficas, dessa forma o homem da floresta era convidado diariamente a desafiar as adversidades em Rondônia, cavando um novo rio, um canal, uma vala.

Quando visitamos a região, nos deparamos com antiga sede do seringal que agora seria denominado de Nova Aliança, a beira do Rio Madeira e próximo ao furo ou vala do senhor Martins. Lá encontramos um antigo casarão em ruínas datado de 1911. De impressionante arquitetura no estilo português com telhas francesas datadas de 1910. Ainda é possível encontrar parte do piso original na varanda da edificação e também o papel de parede da época na parte interna do casario. Próximo ao local, nos surpreendemos, com uma escola em ruínas com quatro salas de aula, o que é difícil, de se imaginar em um seringal. Onde a maioria dos coronéis e seringalistas, preferiam trabalhadores não instruídos para assim facilitar o sistema de barracão e aviamento, comum nesse tipo de economia, onde o soldado da borracha era explorado. Sabe-se que a esposa do dr Martins era professora, e em meio a sede do seringal sem ter o que fazer no dia-dia, teria insistido ao marido, a necessidade da construção de uma escola onde ela pudesse lecionar e se sentir útil.

A produção de borracha foi uma atividade que proporcionou ao governo brasileiro, a oportunidade ocupacional, a organização política administrativa da região, usando apenas os recursos naturais que a floresta oferecia. Os rios serviam aos exploradores como estradas por onde os recursos naturais saíam, transportados para grandes centros comerciais. O homem nordestino representou para o governo, a força de trabalho, a mão-de-obra empregada para extrair as riquezas. Após a exaustão da produção do látex a mão-de-obra foi descartada e os seringueiros foram esquecidos, abandonados no meio da floresta, e aí permaneceram, viveram e envelheceram. Mas, sua história sempre será evidenciada, no intuito de lançar luzes sobre o legado de um povo, que com braços fortes encarou a floresta e construiu uma linda história.

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098






VÍDEO DO RIO MADEIRA EM ALIANÇA - PORTO VELHO

MAIS FOTOS





Natureza cresce e toma conta do que sobrou da EFMM em Porto Velho


Diante do abandono a natureza cresce e toma conta de inúmeras locomotivas, vagões e maquinários da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, construída de 1907 a 1912.







quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Buenos Aires, minha primeira viagem internacional


Viver num Estado que faz fronteira com um país estrangeiro me possibilitou visitar algumas vezes a Bolívia, mais exatamente a cidade de Guayaramerím (Departamento do Beni) que fica coladinha com a cidade brasileira de Guajará-Mirim, porém, embora tenha tido contato com um ambiente e cultura um tanto diferente, eu não considero como uma experiência internacional. Neste mês de agosto (16 a 22/07/2017) tive a oportunidade de conhecer a Capital da Argentina, Buenos Aires, onde passei por um controle migratório e onde convivi por mais tempo com a comunidade local.

Minha viagem começa na tarde do dia 16 de agosto, quando parti sozinho de Porto Velho através do Aeroporto Internacional Jorge Teixeira, num vôo Latam para Brasília, onde fiz conexão para o meu destino final. Assim que cheguei no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek percebi que estava sem a Carteira Internacional de Vacina, a qual costuma ser muito importante numa viagem internacional especialmente quanto à febre amarela. Perguntei para os funcionários da Latam se precisaria da Carteira Internacional para desembarcar em Buenos Aires, porém não souberam me informar, então nesse curto tempo para fazer a conexão eu corri até ao posto da Agência de Vigilância Sanitária - ANVISA para me informar. No caminho estava demasiado preocupado, e quando cheguei fiquei ainda mais porque estava tudo fechado. Já era uma 18h30min (horário local). Pra minha alegria havia um mural ao lado da porta, no qual estava um informe sobre o Cartão de Vacina Internacional, e lá dizia que a Argentina e outros dois países não cobravam esse documento. Corri para o embarque.


Desembarquei no Aeroporto Internacional Ministro Pistarini, que fica na cidade de Ezeiza, na Grande Buenos Aires. O aeroporto fica bem distante do Centro da Cidade Autônoma de Buenos Aires, portanto, se achar melhor, escolha o Aeroparque Regional Jorge Newbery, que tem 6 km do centro da cidade como um grande ponto positivo. O Aeroporto de Ezeiza é bem grande, mas o desembarque foi tranquilo. Mesmo estando sozinho e sem saber "hablar" espanhol, além de ser minha a primeira visita à localidade, foi tudo muito tranquilo, inclusive ao passar pelo controle migratório. Enquanto esperava na fila junto com muitos outros brasileiros, eu fiquei observando como era o atendimento. Não era nada demais. Na minha vez fui até o box de vidro, apresentei meu passaporte, colheram minha digital, tiraram uma foto, e informei o hotel onde ficaria, e pronto. O carimbo me concedia concedia 90 dias de turista para aproveitar a cidade deles. 

Depois de pegar a bagagem tive que passar minha mala por um raio-x, e dali foi direcionado a um portão de "salida". O primeiro contato ali fora foi com o friozinho que fazia, mas logo fui assediado por uma moça que oferecia táxi muito euforicamente. Como estava cansado eu perguntei logo se aceitavam Real, porque não havia tido tempo de trocar dinheiro. Ela disse que aceitavam a moeda brasileira e me conduziu a um guichê, onde paguei uns R$ 160, equivalente a $ 640 pesos, e um vale para na volta ter um grande desconto e pagar apenas $ 550. A viagem até o hotel demorou um pouco. Percorremos por uma rodovia bem larga onde passamos por dois postos de pedágios, até chegar numa área mais urbana e bem edificada, onde lá estava o Two Hotel Buenos Aires, onde seria minha casa pelos próximos seis dias. 

Assim que cheguei no hotel, de madrugada, bastou dar meu nome e logo encontraram minha reserva. Tive que apresentar o passaporte (mas poderia ser o RG), preenchi um cadastro, e fui orientado sobre não fumar no quarto, bem como de uma multa se desobedece (nos termos da legislação local), inclusive o atendente anotou os dados de um cartão de crédito meu para se certificarem de que a multa seria adimplida. Após isso ele me entregou um envelope bem pequeno onde tinha o cartão (chave) do quarto, senha da Internet sem fio, e orientações sobre o café-da-manhã. O hotel superou minhas expectativas. Ele não é muito luxuoso, mas é bem organizado e limpo. As instalações aparentam ser novas e modernas, além de ter uma decoração muito bonita e agradável. Meu quarto tinha vista para a Rua Moreno, e contava com um cofre, um armário, uma escrivaninha, uma teve que parecia estar embutida numa parede de vidro, duas camas, e um banheiro que era separado do quarto por um vidro. 


Na manhã do dia 17 de agosto tomei café-da-manhã e resolvi dar uma volta pela cidade. Estava fazendo um friozinho, e por isso saí com uma camisa polo e um agasalho na mochila, onde carregava a câmera fotográfica. O hotel fica bem perto do centro e dos principais pontos turísticos. Ao chegar numa grande avenida vi alguns ônibus de dois pavimentos. Eram os "Buenos Aires Bus". O motorista de um deles me indicou onde poderia comprar o ingresso, que pra minha sorte aceitava a moeda brasileira. Peguei cerca de R$ 125. A duração do ingresso é de 24h, e o roteiro passa por mais de 30 pontos turísticos da Capital Argentina, os quais eu podia descer para conhecer melhor, e depois voltar para o ponto de parada especial do "Buenos Aires Bus" para pegar outro veículo e continuar o passeio. São vários ônibus "amarelinhos" que passam de 20 em 20 minutos. 

























































Na manhã do dia 18 de agosto troquei alguns reais pela moeda local (peso) no Banco de la Nación Argentina, que fica ao lado da Casa Rosada. O local onde realizam o câmbio fica no subsolo. Eu esperei por alguns minutos num banco de madeira junto com outras pessoas, até um funcionário aparecer e autorizar a entrada de cinco pessoas. Nessa outra área do banco esperei por mais alguns instantes, até me chamarem. O atendente pediu um documento de identidade, mas como havia deixado o passaporte no hotel (com receio de perder ou me tomarem), eu apresentei a CNH na expectativa de que aceitassem, no entanto, foi um ledo engano. O atendente perguntou para uma colega e depois veio até mim e disse que não podiam aceitar. Então eu corri de volta ao hotel (que felizmente estava perto) e peguei ao passaporte. No banco haviam poucas pessoas, e por isso deu de atentar para uma plaquinha em que diz que só atenderiam quem tivesse conta no banco. Fiquei meio receoso, mas como na primeira vez o atendente não havia falado nada sobre isso, eu resolvi esperar. Fui atendido pelo mesmo funcionário da outra ocasião. Mostrei o passaporte, ele conferiu, tirou cópia e me deu uma senha para eu trocar o dinheiro no caixa. Esperei pouco até chamarem a senha 164. No guichê uma mulher estava atrás de uma janelinha de grade e um vidro. Ela perguntou o número do passaporte, meu endereço no Brasil e outras informações triviais. A cotação naquele esta de R$ 1 para $ 4,37 pesos. Saí dali com um monte de cédulas da moeda local, a maioria de $ 200. Mas apesar disso não me animei muito pois já havia percebido que embora estivesse saindo dali com muitos pesos, eles não valiam de muita coisa, afinal, um produto que no Brasil pagaria uma determina quantia, o mesmo produto ali, via de regra, eu pagaria o quádruplo em pesos. Portanto, de modo geral não haveria qualquer diferença. Para ser mais claro, um suco de laranja que no Brasil eu pagaria R$ 10, lá em Buenos Aires eu pagava pouco mais de $ 40, ou R$ 10 (se no local que estivesse vendendo aceitasse o Real). 






















  
  

Na manhã do dia 19 caia uma chuva fraquinha na cidade. Numa breve trégua eu me apressei para ir à à Casa Rosada, pois a visita guiada a qual faria parte aconteceria naquela manhã. Como sempre cheguei muito cedo, e como iriam receber os turistas impreterivelmente às 10h00min e chuva começou a cair novamente, eu procurei uma marquise de onde podia acompanhar a movimentação no portão de entrada do palácio. Quando vi que algumas pessoas começaram a entrar eu me apressei. Fiquei em penúltimo lugar na fila. Quando chegou minha vez mostrei o bilhete em pdf no meu celular, e o passaporte que por sorte estava na minha mochila (na verdade tem que ser o documento que você declara quando agenda a visita guiada). Formaram-se três grupos. Assim que o primeiro entrou, em aproximadamente 20 minutos entrou o que eu estava. Uma guia apresentou contou um breve histórico sobre o prédio, e depois passamos a percorrer vários salões, sendo os principais deles o "Salão Eva Perón" e o "Salão Branco", onde acontece a passagem de governo do país. Passamos também por um jardim interno, e até por espaço funcionais, onde nos informavam da impossibilidade de fazer qualquer registro fotográfico. Por questão de segurança, por onde andávamos haviam soldados palacianos acompanhando nossos passos. 













































Na manhã do dia 20 de agosto saí do hotel com destino ao Monumento à Mafalda, uma personagem criada pelo cartunista argentino Quino em 1964, e que era muito conhecida por se preocupar com a humanidade a a paz mundial. Eu seguia a rota definida pelo gps no celular, e quando me aproximava da Rua Chile, onde estaria o monumento, notei que havia uma grande movimentação na Rua Defensa. Muita gente estava montando umas barracas, e começavam a organizar alguns produtos, e logo percebi que estaria na tão falada "Feira de San Telmo" que acontece todos os domingos naquela rua. Ao chegar na estátua de Mafalda, na esquina da Rua Chile com Rua Defensa, exatamente na calçada em frente a um barzinho bem charmoso, avistei a estátua da pequena menina sentada numa cadeira de praça junto com dois outros personagens. Mesmo tão cedo, haviam alguns turistas tirando fotos, e outros se aproximavam. Eu fiquei constrangido de tirar foto sozinho, então cedi minha vez para as outras pessoas que apareciam, e resolvi andar mais pela feira que estava se organizando. Durante todo o trajeto pela Rua Defensa, percebia algumas já montadas, e outras que ainda estavam sendo organizadas. Alguns turistas já começavam a aparecer também. A certa altura vi no final da rua um monumento que se assemelhava à Pirâmide de Mayo, e logo ao me aproximar, confirmei minhas suspeitas: a feira terminava exatamente na Plaza de Mayo, que fica em frente à Casa Rosada (local este onde eu já me situava). Permaneci na praça por alguns minutos enquanto a feira se organizava, inclusive aproveitei o sol que fazia naquela fria manhã de domingo. 

De volta à Rua Defensa a feira já estava acontecendo a todo o vapor. Vários turistas tomavam a rua que era ladeada por inúmeras barracas, onde haviam lembrancinhas, antiguidades, roupas, e muito mais. Além disso haviam galerias, restaurantes e apresentações de artistas de rua que chamavam a atenção de quem passava. O Real costuma ser bem aceito na feira, porém o troco via de regra é geralmente em Peso (R$ 1 = $ 5). Percorri a feira em toda sua extensão, da Casa Rosada até ao Museu de Arte Moderna de Buenos Aires, e concluí que é realmente se trata de uma das mais interessantes atrações da cidade. 















  





















  





No dia 21 de agosto resolvi voltar ao Monumento á Mafalda para fazer meus registros, afinal, sem a "Feira de San Telmo" que acontece apenas aos domingos, o local certamente estaria mais tranquilo. Assim que cheguei havia apenas um funcionário do bar fazendo a limpeza do local, então aproveitei para tirar minhas fotos e tietar a estatua da garotinha mais famosa da Argentina. Após isso dei uma olhada no mapa pelo celular e vi que o Rio da Prata estava por perto, então resolvi caminhar até la expectativa de pelo menos molhar os pés nele. No caminho acabei chegando por acaso no Porto Madero, onde tirei várias fotografias em meio ao uma cenário muito bonito do canal e das edificações no entorno. O espaço conta com um grande calçadão onde muito gente aproveitava para passear com filhos, caminhar ou fazer aquela corridinha numa manhã um pouco fria porém bem ensolarada. Por ali haviam vários bares, cafés e restaurantes que estavam fechados, por estar muito cedo e também por se tratar do feriado local alusivo à morte do General José de San Martín, mas certamente mais tarde o local estaria demasiado movimentado. Ainda determinado a chegar ao Rio da Prata eu atravessei a famosa Puente de la Mujer (uma passarela) chegando a uma grande parque, mas onde deveria haver o rio eu só um canal com uma vegetação flutuante e uma espécia de floresta do outro lado. Poderia ter olhado o mapa do celular, mas para variar estava descarregado, e por isso desisti do meu intento e continuei a caminhar pelo parque até avistar os fundos da Casa Rosada, para me dirigi, afinal, ela era uma referência para eu localizar o hotel e outros locais já conhecidos. 

À noite, como ainda tinha alguns pesos resolvi sair pra gastar. Andei pelo centro de Buenos Aires em busca de algum lugar interessante para comer. Cheguei ao Obelisco onde tirei algumas fotos, e depois resolvi comer num restaurante chamado no Il Gatto Trattorias, o qual parecia ser bem aconchegante, e de fato fui muito bem atendido. Após o jantar, retornei para o hotel caminhando, e me despedindo da cidade que havia me recebido tão bem, e já sentindo uma vontade tão grande de voltar e conhecer tantos outros lugares que não conheci, bem como rever aqueles que mais gostei. 






































No hotel arrumei minhas coisas, e resolvi não dormir, pois tive receio de não acordar a tempo para o embarque que aconteceria às 7h00min do dia seguinte. E considerando a distância do aeroporto e também aos procedimentos de embarque por tratar de uma viagem internacional, eu preferi não correr o risco de depender do despertador do celular ou mesmo do funcionário do hotel para me acordar. Me mantive desperto por várias horas assistindo televisão, e quando o sono chegou tomei um banho e fui para o átrio do hotel onde fiquei numa área de acesso à Internet. Perto do amanhecer voltei para meu quarto, tomei mais um banho e me arrumei, e desci com minha bagagem. Ao me apresentar para o check-out no hotel, paguei o que havia consumido e pedi um táxi que não demorou para chegar. A viagem até o Aeroporto de Ezeiza foi tranquila, até porque ainda não havia amanhecido, estava tudo escuro e as ruas tranquilas. No aeroporto despachei a bagagem junto ao Latam, e depois me apresentei ao embarque internacional ou tive que tirar os sapatos e fui revistado assim como todos os outros (sem qualquer distinção). Como não havia tomado café resolvi comer por ali mesmo. Pedi um café com leite e uma espécie de misto-quento, que me custou R$ 50, isso mesmo, não estou falando de pesos, mas de reais mesmo. Comi muito rapidamente porque faltava apenas 10 minutos para o embarque, que aconteceu no amanhecer do dia 22 de agosto.