domingo, 6 de novembro de 2011

Greve na Universidade Federal de Rondônia - UNIR 【S.RÏVER】



Há mais de um mês foi deflagrado o maior movimento grevista da Universidade Federal de Rondônia - UNIR em que participam universitários e professores da instituição em todo o estado.

A reitoria da universidade, que fica no Centro de Porto Velho (UNIR-Centro), foi tomada pelo Comando de Greve e muitos outros universitários que inclusive pernoitam no local.

Em meio a tudo isso um professor chegou a ser preso pela Polícia Federal passando uma noite na penitenciária Pandinha do Complexo Carcerário de Porto Velho, e um casal de universitários foram detidos pela PF quando pegavam a encomenda de panfletos sobre o movimento grevista, segundo a PF o conteúdo dos panfletos fazia injúria contra o reitor da universidade, Sr. José Januário de Oliveira Amaral. Após um longo interrogatório os universitários foram liberados.

O que enseja o movimento grevista precipuamente são as péssimas condições estruturais dos campus da universidade no estado, em que prédios estão em situação precária. Inclusive um laudo do Corpo de Bombeiros evidência essa situação lastimável no campus da universidade em Porto Velho. Os universitários também querem a saída de Januário do Amaral da reitoria da UNIR, uma vez que as péssimas condições da universidade teriam sido agravadas durante os 08 (oito) anos em que o mesmo esteve à frente da UNIR, seja pela deficiência ou até mesmo a falta de manutenção nos prédios, bem como pelo demasiado atraso na conclusão de obras de ampliação do campus na Capital e em outras cidades.

O reitor da universidade também é acusado pelo Ministério Público Estadual de Rondônia em uma investigação envolvendo a Fundação RIOMAR (vinculada a UNIR) pelos crimes de apropriação indébita, formação de quadrilha e falsidade ideológica.

Os acadêmicos que tomaram o prédio da reitoria da UNIR afirmam que estão preocupados em causar o mínimo de dano às instalações do prédio, principalmente por se tratar de uma edificação histórica, bem como estão firmes em sua causa e pedem o apoio da sociedade rondoniense.

Particularmente passei a acompanhar a situação mais de perto e resolvi apoiar os universitários que buscam apenas melhorias no ensino superior público de Rondônia, com a oferta de melhores condições de ensino para os universitários e de trabalho para os professores, como também exigem probidade na administração da universidade.

A causa é justa e espero que os grevistas consigam o que almejam, entretanto espero que os mesmos que formam a classe pensante de Rondônia, também mostrem toda essa admirável disposição em prol de outras causas alheias ao meio universitário, como a absurda corrupção que toma conta do estado de Rondônia, ou a negligência do estado para com a Saúde Pública, enfim, contra qualquer malefício que agride não apenas a universidade federal, mas sim a toda a sociedade rondoniense.

Para maiores esclarecimentos sobre essa greve o Movimento Grevista disponibilizou um blog que é constantemente atualizado e busca manter a todos informados dos últimos acontecimentos e das manifestações que serão feitas durante a greve. O link é: http://dceunir.blogspot.com/

A seguir transcrevo a nota de repúdio à detenção dos dois universitários pela Polícia Federal quando portavam a encomenda de panfletos sobre o movimento grevista.
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No dia 04 de novembro de 2011, os estudantes Fernanda Mello do curso de Medicina e Gustavo Torres do curso de Engenharia Civil foram injustamente detidos pela Polícia Federal, em operação chefiada pelo Delegado Marcelo Toledo, em um episódio que se assemelhou aos períodos mais sombrios dos “Anos de Chumbo” da ditadura militar.

Na ocasião, os estudantes saíam de uma gráfica, e foram intempestivamente abordados pela Polícia Federal, por estarem carregando panfletos sobre a greve da UNIR.

Na madrugada do mesmo dia, o Prof. Dr. Fabrício de Almeida, do Campus de Rolim de Moura, teve seu carro alvejado com uma pedra, por um motoqueiro que fugiu em alta velocidade. Amarrada a pedra, estava um bilhete que fazia sérias ameaças a vida do professor.

Na semana passada, outros quatro estudantes da UNIR foram intimidados a comparecer na Polícia Federal, sob a falsa acusação de dano ao patrimônio público.

E o que estes últimos acontecimentos tem em comum?

Eles são parte integrante da política fascista que tem sido implementada pelo REItor da UNIR, Januário do Amaral. Uma política de ameaças, perseguições, intimidações e criminalização á aqueles que se levantam em luta pela Defesa de uma Universidade Publica, Gratuita e Verdadeiramente Democrática.

Como suas últimas tentativas de criminalizar a luta dos estudantes em greve – chamando-os de bandidos - não surtiu o efeito necessário junto à sociedade rondoniense – que apoia intransigentemente nossa greve - agora ele manda a Polícia Federal prender os estudantes, com o único objetivo de tentar frear a justa revolta de estudantes e professores, garantindo assim, sua permanência a frente da Administração Superior da UNIR, e dando prosseguimento ao processo de desmonte da Universidade, com desvio de verbas e favorecimentos ilícitos.

O REItor da UNIR, Januário do Amaral, o Senador Valdir Raupp e a Deputada Marinha Raupp, e todos os outros parasitas que lucram e enriquecem as custas da Universidade Federal de Rondônia, pensam erroneamente, que intimidações, prisões ou ameaças irão conter a fúria inabalável dos estudantes em luta.

O Delegado Eduardo Brun Souza (o mesmo que torturou psicologicamente o Prof. Dr. Valdir Aparecido e ameaçou o jornalista Everaldo Fogaça, do Site O Observador) tentava a todo o momento intimidar os estudantes detidos, buscando recolher informações sobre a organização da greve e da ocupação.

Ora. Qual o interesse da Polícia Federal em saber quem é do Comando de Greve? Em saber, quantos estudantes participam da ocupação? Em recolher os panfletos produzidos pelos estudantes da UNIR, convocando toda a população à participar de uma Grande Manifestação dia 09 de novembro, em Defesa da UNIR e pela saída do REItor Januário?

A resposta é simples. A Polícia Federal demonstra mais uma vez, que cumpre fielmente seu papel de polícia política, reprimindo violentamente qualquer forma de luta e reivindicação popular.

No entanto, não nos intimidaremos. Afinal, essa é a farsa de democracia existente em nosso país. Democracia para alguns poucos, e repressão e exploração para a grande maioria do nosso povo.

Apenas com o afastamento do REItor que o Prédio da UNIR Centro será desocupado!

A recente prisão dos estudantes serve apenas, para elevarmos nossa indignação e revolta com a atual Reitoria da UNIR, renovando assim nossa firme decisão de permanecer em luta até que nossos direitos sejam assegurados e nossas reivindicações atendidas!

Nao descansaremos ate livrar a UNIR do Reitor e toda sua camarilha, verdadeiros dilapiadores da ciência e da democracia dentro da nossa Instituição.

Reafirmamos que a luta por uma Universidade Pública não é crime!

Denunciaremos, portanto, toda e qualquer tentativa de criminalização da justa luta do movimento estudantil!

Não recuaremos e não mais toleraremos ameaças ou tentativas de intimidação!

Não nos curvaremos diante das ações fascistas do Reitor e do casal Raupp, tampouco das ações truculentas e arbitrárias da Polícia Federal!

Defenderemos, com unhas e dentes, a Educação Superior Pública e Democrática!

COMANDO GERAL DE GREVE DOS ESTUDANTES DA UNIR
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