domingo, 1 de setembro de 2013

32ª Edição do Arraial Flor do Maracujá


O Arraial Flor do Maracujá aconteceu neste ano de 2013 no período de 22 a 31 de agosto. O evento no passado já foi a maior festividade junina da Região Norte do país, porém nos últimos anos tem deixado a desejar no que diz respeito à divulgação, estrutura e organização. Com mais de 30 anos de tradição o evento ainda não tem um espaço digno, aliás, Porto Velho não conta com um espaço destinado a realização de eventos de grande porte, o que contribuiu para o cancelamento da Expovel (uma das maiores feiras agropecuárias e de negócios da região) neste ano, rompendo com um tradicionalismo até então consolidado.

Durante muitos anos até 2008, o Arraial Flor do Maracujá era realizado num terreno onde hoje (ainda) está em construção o novo prédio da Assembleia Legislativa de Rondônia, na Av. Farquhar entre as ruas Abunã e Calama, em 2009 e 2011 foi realizado num terreno que fica na Av. Imigrantes no bairro Industrial. A partir de 2012 o arraial passou a ser realizado no Parque de Exposições, um local degradante, feio e de estrutura demasiada deficiente, o qual não oferece condições satisfatórias para os comerciantes, ambulantes, artistas e muito menos para o público, que apesar dos pesares insiste em prestigiar o evento, considerando principalmente o seu tradicionalismo. Em dias de estiagem tem muita poeira e em dias de chuva muita lama.

O responsável pela organização do Arraial Flor do Maracujá é o Governo do Estado de Rondônia, e neste exercício mais uma vez deixou a desejar. Era notável que o evento não tinha uma estrutura de qualidade em comparação com anos anteriores: arquibancadas menores, local desagradável - longe e pouco estruturado, e ainda, problemas envolvendo repasses de verbas para os Grupos de Quadrilhas e outros envolvendo a não prestação de contas de recursos recebidos, ensejaram que nesta edição do Flor do Maracujá não acontecesse a tradicional competição da Mostra de Quadrilhas e Bois Bumbás, porém alguns grupos se apresentaram amistosamente. 

"Segundo o TCE, a Federon deixou de prestar contas de cerca de R$ 700 mil repassados pela Secel para realização do evento. No entanto, Marilucia Gonçalves,  secretária da Federon afirma que a entidade ainda não foi notificada, mas contratou um advogado para revogar o pedido do TCE, que coloca a federação como devedora perante o governo" (G1-Rondônia).

Uma situação muito desagradável nesta edição, foi a presença e pronunciamento de Deputada Estadual Efifânia Barbosa durante a apresentação dos grupos de quadrilha. A parlamentar esteve envolvida no escândalo de corrupção desencadeado pela Operação Termópilas da Polícia Federal e MPE/RO, porém, Epifânia e os demais envolvidos no esquema de desvio de dinheiro da saúde pública foram agraciados pelos seus colegas da Assembleia Legislativa com a pena apenas 30 dias de suspensão de seus mantados, mostrando que a maioria dos membros daquela Casa de Leis não se importam com a opinião pública - a sociedade queria a cassação de todos os envolvidos no escândalo - tampouco com a imagem da Assembleia Legislativa como instituição.

"A deputada estadual Epifânia Barbosa (PT) fez acordo com as autoridades e garantiu ter recebido R$ 60 mil enviados pelo foragido Valter Araújo, mas devolveu três dias depois. Nesta sexta-feira, edital de notificação publicado pelo Tribunal de Justiça informa detalhes da denúncia contra Valter em que a parlamentar petista alega que recebeu a propina, mas a devolveu no gabinete do então presidente três dias depois. A delação assegurou a Epifânia a divulgação de nota pela PF de que ela havia sido ouvida em novembro apenas como testemunha. No entanto, segundo o delegado da Polícia Federal (PF), Fabrício Fernando Diogo Braga, a deputada foi indiciada criminalmente por corrupção dias depois em razão da existência de fortes indícios de ser corrupta. No caso da devolução do dinheiro, Epifânia recebeu o dinheiro em sua própria casa, a mando de Valter. Neste processo ela aparece como testemunha do Ministério Público e não explica os motivos da parlamentar ter ficado com o dinheiro por tanto tempo ou até mesmo porque aceitou a propina, repassada por Éderson Souza Bonfa, o “Goteira”, que operava o esquema desvendado pela Operação Termópilas" (Rondoniagora).

Chega a ser imoral que agentes políticos envolvidos em corrupção permaneçam em seus cargos, chegando inclusive a reincidir, como foi o caso da Deputada Estadual "Ana da 8" e outros, que apesar de terem estado envolvidos na Operação Termópilas voltaram a ser citados nas investigações da recente Operação Apocalipse. O pior de tudo é que, lançando mão das emendas parlamentares, esses agentes políticos se auto promovam através do dinheiro público, isto é, com as emendas parlamentares os deputados destinam verbas para atrações ou ações públicas, e com isso usam seus nomes para se promoverem como se fossem patrocinadores privados.

Apesar de tudo, o Arraial Flor do Maracujá merece ser prestigiado, e cabe a todos se rebelarem e exigirem que condições melhores sejam oferecidas em eventos e atrações culturais diversas no Estado de Rondônia, afinal recursos destinados a serem usados exclusivamente pra isso existem, além de tais atividades fomentarem a economia local e promoverem a geração de empregos indiretos. 

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