terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Construção da Nova POC【S.RÏVER】


Esse vídeo mostra as obras de construção da nova POC – Policlínica Oswaldo Cruz em Porto Velho, que diferente de muitas obras na cidade está correndo em ritmo acelerado.

Em Porto Velho, assim como nas grandes cidades do estado, é muito comum encontrarmos obras por toda parte, e muitas delas são construções governamentais que estão sendo erguidas com dinheiro dos cofres públicos, porém, infelizmente as obras de infra-estrutura comandada pelo poder público costumam ser lentas e muitas das vezes encontram-se paralisadas, seja por causa da chuva (uma desculpa muito comum) ou por total falta de compromisso das empresas que estão diretamente envolvidas nas obras, que por sua vez se acham no direito de pararem os trabalhos por qualquer motivo, se valendo da falta de cobrança e fiscalização regular por parte dos órgãos públicos gestores e fiscalizadores.

No caso da construção do novo prédio da Policlínica Oswaldo Cruz acontece algo incomum, as obras estão correndo muito regularmente, e posso dizer que bem aceleradamente, para se ter uma idéia foram vistos operários trabalhando no reboco da parte externa do prédio inclusive num dia de chuva!

Um dos motivos que podem justificar tamanha celeridade seria o fato de que a construção do prédio novo da Policlínica Osvaldo Cruz estar sendo financiada com recursos de um convênio de compensação com Consórcio Energia Sustentável do Brasil, responsável pela construção da UHE de Jirau. Tanto que na placa que dá publicidade à construção, em frente ao canteiro de obras, se quer há menção do Governo do Estado de Rondônia.

Enquanto o novo prédio está sendo construído, a POC passou a funcionar provisoriamente numa espécie de galpão na rodovia BR-364 sentido Cuiabá/MT, ainda no perímetro urbano de Porto Velho. As instalações são meio que improvisadas, e assim que a policlínica foi instalada naquele lugar também passou a ter sérios transtornos, pois os pacientes, geralmente idosos, ao atravessarem a rodovia para acessar a unidade de saúde correm sérios riscos de morte ou de serem acidentados, uma vez que a BR-364 no perímetro urbano é muito movimentada quase que o tempo todo por veículos de grande porte, inclusive alguns poucos pacientes sofreram de fato algum sinistro na região.

Outro transtorno para os pacientes é a grande falta de respeito de uma parcela dos médicos quanto ao cumprimento de seus horários (ou falta dele), uma vez que quem recorre à POC agenda uma data com um horário para seu atendimento, mas no dia e horas marcados alguns médicos só chegam uma, ou até mesmo duas horas depois, e tal praxe que traz significativos transtornos aos pacientes (principalmente aqueles do interior que têm horário marcado para voltarem a seus municípios) é de conhecimento de muitos servidores e da própria direção da POC. Tanto que ao questionar sobre o atraso de algum médico que, por exemplo era para começar a atender a partir das 14:00h, algum servidor possivelmente vai informar: “Ahhh! O doutor ‘Fulano’ só chega por volta das 15:00h ou às 16:00h”.

A Policlínica Oswaldo Cruz foi construída na década de 1980, no mesmo lugar onde está sendo erguido o novo prédio, e no Governo de Jorge Teixeira de Oliveira (o primeiro governador ESTADUAL de Rondônia), sendo que sua estrutura de metal (que lembrava um hospital/unidade de saúde de guerra) vinha nestes últimos anos apresentando sérios problemas, além de não suportar mais a demanda de pacientes que aumenta junto com a população do estado, uma vez que as unidades de saúde de Porto Velho atendem pacientes tanto da capital quanto de outros municípios do interior, além de muito eventualmente atender pacientes acreanos, amazonenses e bolivianos. E segundo um site de notícias, em 25 anos a POC nunca havia recebido uma reforma significativa.

A POC homenageia o renomado médico e sanitarista brasileiro Oswaldo Gonçalves Cruz (1872-1917), que por ter sido o pioneiro no estudo das moléstias tropicais e da medicina experimental no Brasil, foi convidado pelos diretores da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré a visitar o canteiro de obras da grande ferrovia em meio à Amazônia, uma vez que os médicos estrangeiros do Hospital da Candelária em Porto Velho desconheciam totalmente as doenças tropicais que matavam muitos operários. Oswaldo Cruz com sua saúde precária partiu do Rio de Janeiro em 16 de junho de 1910,e chegou ao povoado que mais tarde se tornaria a atual capital do estado de Rondônia acompanhado de seu médico particular Belizário Penna, onde permaneceu por cerca de um mês realizando estudos em campo, posteriormente de volta ao Rio de Janeiro apresentou o relatório “Considerações Gerais sobre as Condições Sanitárias do Rio Madeira”.

Voltando aos assuntos atuais, a saúde pública do estado de Rondônia, apesar dessa obra que chega a ser uma exceção, vem sendo absurdamente negligenciada pelas autoridades locais, uma vez que foi em Rondônia onde os representantes do Conselho Federal de Medicina apontaram o pior hospital do Brasil, o Hospital e Pronto Socorro João Paulo II.

Ocorre que não é de hoje que aquela unidade hospitalar apresenta péssimas condições de funcionamento, trazendo transtornos para servidores e pacientes, sendo estes desrespeitados demasiadamente no que tange à sua dignidade.

A notícia do estado caótico do Hospital e Pronto Socorro JP II só teve repercussão depois que o atual governador, Confúcio Moura, num jogo de cena a fim de se promover logo no início de seu governo, chamou a atenção nacional para a situação do hospital e da saúde pública estadual em geral, inclusive conseguiu o Estado de Calamidade na Saúde Pública de Rondônia, entretanto apesar do governador ter conseguido amenizado ou abafado a situação, no final do segundo semestre de 2011 o situação caótica voltou a estar presente nos hospitais de Rondônia, principalmente no dito João Paulo II, e pior, foi deflagrada uma operação da Polícia Federal que comprovou o envolvimento do Secretário de Estado Adjunto da Saúde num grande esquema de corrupção que desviava verbas do SUS - Sistema Único de Saúde.

Portanto é de se esperar que muitos outros estabelecimentos de saúde sejam erguidos no estado inteiro, e na mesma celeridade com que o prédio da POC está sendo construído, e mais, é urgente a necessidade de que muitos postos de saúde e policlínicas sejam reformadas e outras construídas, a fim de atender a demanda no estado que só aumenta, e ainda, além de construir prédios é imprescindível que se aparelhe adequadamente tais unidades médicas, garantindo condições de trabalho aos profissionais de saúde e dignidade aos pacientes; cidadãos rondonienses.
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