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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Elogio faz bem à saúde!

Uma pesquisa estadunidense mostra que a satisfação de receber um elogio dura mais tempo que a frustração de receber uma crítica (até 48h contra 24h, respectivamente).

A pesquisa também revelou que tanto o elogio quanto a crítica podem inflenciar no desempenho de nossas Defesas Imunológicas!

Portanto ELOGIE mais, e faça por onde para ser ELOGIADO também :D

terça-feira, 5 de julho de 2011

Minha primeira tatuagem :D

Há poucos dias pensava em fazer uma tatuagem, e apesar de ainda não ter decidido se faria ou não, a certeza que tinha era o que tatuaria; o brasão que criei pra mim, apresentando em destaque a letra "S" e duas estrelas num escudo, com um pássaro de asas abertas em cima. Lembro-me que quando criei esse brasão, por volta de meados do ano passado (2010), precisava de algo que marcasse ou caracterizasse, bem como que atribuísse às minhas produções (desenhos, fotos, vídeos...) a minha autoria; que fossem relacionadas à minha pessoa.

Como sou leigo em avançados programas de criação e edição de imagem tive que me virar com o que sei, portanto a princípio desenhei um esboço a mão livre, o qual digitalizei a imagem, reduzi e comecei a estampar em minhas produções. Mas depois de um tempo comecei a achar defeito, então resolvi desenhar o brasão no Paint, (isso mesmo, trata-se daquele programa bobo que existe em qualquer computador). E o resultado foi satisfatório pra mim, o qual além de atribuir cores adicionei também o meu pseudônimo "S.Rïver". Confira a evolução a seguir:






Mas somente hoje (05.07.2011) numa súbita atitude decidi fazer a tatuagem! Fui a dois lugares, onde verifiquei as condições e conversei com os tatuadores, porém foi no segundo local que decidi fazer a tatoo, porém tive que sair pra sacar o dinheiro no banco, pois só aceitava pagamento à vista, mas enquanto isso o tatuador se ocupou de redesenhava o meu brasão nos moldes e dimensões que ficaria no meu braço.

Assim que retornei ao estúdio, o tatuador ainda estava trabalhando desenho, mas assim que terminou, o que não demorou muito, o mesmo começou a arrumar os aparelhos, e ainda pra me sacanear mostrou o quanto da agulha que entra na pele! Mas nem me intimidei, aliás, pra quem foi um exímio doador de sangue, e sempre gostou de doar sangue, a agulhinha para a tatuagem não se comparava à agulhona para doação de sangue!

Apesar de realmente achar que fosse doer um pouco, me surpreendi, pois doeu muito pouco mesmo, melhor, foi bem tolerável. Até pude ler uma revista enquanto era tatuado, o que levou acho que uma hora, ou menos.

Assim que terminou curti muito o resultado, aliás, quem tem que curtir o resultado sou eu mesmo, e se eu gostei, então tá tudo certo!

ACONTECEU HOJE EM PORTO VELHO (05.07.2011)

- A Excelentíssima Senhora Presidente da República esteve pela primeira vez em Porto Velho como Chefe de Estado e Governo do Brasil. Em uma rápida visita, mas muito rápida mesmo, pelo menos a julgar pelos rumores de como a comitiva presidencial passou pela Av. Jorge Teixeira (em altíssima velocidade) ao sair do Aeroporto, a Presidenta visitou o canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, onde marcou o início do desvio do rio Madeira para prosseguimento dos trabalhos. Logo depois, na casa de shows Talismã 21 (antiga Quéops) Dilma Rousseff participou de uma cerimônia em que assinou o Decreto que permite a transposição de servidores do antigo Território Federal (que hoje é o Estado e Rondônia) para a União. A tão esperada "transposição" que os servidores públicos mais antigos dessa região aguardavam. Durante 18 meses uma Comissão vai analisar e estudar a situação dos servidores que estariam em condições de passarem para o Quadro de Servidores Federal. Infelizmente muitos podem morrer até que tudo isso acabe, entretanto, o primeiro grande passo já foi dado.

- Motoristas e cobradores de ônibus de Porto Velho fizeram uma paralisação em que 70% dos ônibus tiveram que circular por liminar judicial. Os trabalhadores das duas empresas de ônibus - Rio Madeira e Três Marias - que na prática comentam se tratar de uma única empresa. Os trabalhadores reclamam da má remuneração e das péssimas condições de trabalho, a julgar pela situação de muitos ônibus, bem como o não atendimento por parte dos empresários a determinações judiciais que os obrigam a garantir melhorias na prestação do serviço de transporte coletivo urbano de Porto Velho. Por fim os manifestantes fizeram um protesto na Av. Sete de Setembro onde pediram a paciência, compreensão e apoio dos usuários do transporte público local.

domingo, 5 de junho de 2011

【ツ Rïver Vídeos



Fiz esse vídeo para mostrar de maneira maneira simples como faço as gravações dos clipes para a produção dos vídeos amadores que publico no meu canal no YouTube.

Como sempre enfatizo meus vídeos não são nada profissionais, mas ao contrário são feitos com uma máquina fotográfica SANSUNG convencional, e excepcionalmente com meu celular. A edição fica por conta programa Movie Maker (aquele que com certeza deve ter em sua máquina).

A intenção precípua dos vídeos qe faço é expor minhas idéias e pensamentos, além de via de regra buscar divulgar a minha região, desmistificar os preconceitos que muitas pessoas tem para com as cidades e o povo amazônida. E o YouTube é uma ferramenta bem interessante para isso, uma vez que facilita uma grande repercussão dos vídeos de seus usuários (quando bem produzidos, o que não é meu caso), entretanto o pouco que tenho alcançado com minhas produções já é um tanto gratificante para mim!

Nesse vídeo lancei mão de trilhas sonoras de grandes noticiários mundiais:
*BBC News;
*Telediário 2010 Mix;
*24 Horas TVE;
*ABC News 24 Countdown Loop 2010;
*ITV News.

PS: curto ouvir esse tipo de som... estranho né? Mas sei que tem outras pessoas que curtem também!

terça-feira, 8 de março de 2011

Parabéns às MuLhErEs!

Nesse dia internacional das mulheres, que nada mais é do que uma data símbolo, pois todo dia é dia delas, quero parabenizar a todas pela graça, ternura e amabilidade, sempre inspiradas na maior delas, aquela que trouxe ao mundo terreno o filho de Deus, Virgem Maria.

Mas vale mencionar outras qualidades atribuídas a elas adquiridas no decorrer dos anos, como força, garra, determinação, além de um jogo de cintura impressionante de saber administrar a vida de mãe, mulher e profissional com tamanha maestria!

Nesse dia quero parabenizar todas as mulheres e enaltecer a importância que elas têm para nossas vidas. Mas também quero aproveitar esse ensejo para homenagear especialmente uma delas, a minha mãe. Uma grande mulher, como muitas outras que agraciam a vida de muita gente com sua simples existência.
Por fim volto a parabenizar a todas a todas as mulheres por essa data, mas mais especialmente pelo espaço que elas estão ocupando cada vez mais em vários segmentos da sociedade, o que me permite vislumbrar a possibilidade de que as coisas andem com mais humanidade estando elas à frente.

domingo, 6 de março de 2011

Meus tempos de EsTaGiÁrIo

Minha vida profissional não é nada extensa. Minha primeira experiência de trabalho fora casa foi um estágio de 02 anos no Ministério Público do Estado de Rondônia.


Meu ingresso na instituição foi bem justa em relação às modalidades de concessão de estágio que existe na atualidade em muitos órgãos públicos de Rondônia. Na época, em 2004, cursava o 2º ano do Ensino Médio e tinha 17 anos de idade. Para o estágio por passei algumas seleções, sendo a primeira delas o fato de estudar em escola pública, depois por até então ter uma baixa renda familiar, em seguida fui convidado a fazer uma prova, na verdade, uma redação na sede do MP-RO.

Para minha falta de sorte, na manhã do dia que aconteceu a prova caiu uma forte chuva na cidade, o que me trouxe alguns transtornos. Como fui de ônibus, ao chegar no Centro, a chuva se intensificou, e pelo fato do MP ficar na num bairro ao norte do Centro, e pela minha determinação de querer estagiar no Ministério Público, acabei enfrentando a chuva a pé até a sede da instituição... mesmo assumindo o risco de chegar ensopado, o que de fato aconteceu.

Logo na porta do prédio, um senhor que depois vim saber que seu nome é Rui e o mesmo era Assistente Jurídico da Procuradoria de Justiça, perguntou seu "descobri que a chuva molha" num tom que eu não soube identificar se era de chacota, ironia ou amistosidade.

O lado bom é que eu havia chegado a tempo, e o ruim é que me encontrava com as roupas muito molhadas e o ar-condicionado estava nas últimas. Ao entrar na sala de treinamento estava uma senhora que mais tarde soube se tratar da senhora Carmem, psicóloga do MP.

Me tremia todo, mas mesmo assim consegui fazer a prova, que como disse era uma redação, cujo tema era livre, sendo que havia adotado um tema atual sobre as fortes chuvas que havia causado grandes destruições do sul do Brasil, e era notícia em todos os noticiários.

Fiquei dias ávido pela notícia de aprovação, e quando a recebi providenciei imediatamente os papéis para o ingresso e mobilizei minha mãe, pelo fato de ser menor. Já admitido no quadro de estagiários administrativos do MP, a senora diretora do DRH me lotara na Procuradoria de Justiça, que ocupava o sexto andar inteiro e parte do quinto, sem falar na Procuradoria Geral que ficava no sétimo.

Confesso que nos primeiros dias quis desistir, e inclusive cheguei a pedir para ser colocado em outro lugar, mas não teve jeito, me mantiveram ali durante os todo o contrato de estagio. O lado bom foi que me habituei, mesmo o trabalho sendo muito exaustivo.

Bom, quanto ao trabalho o que posso dizer... era apenas pelo período da manhã, e as atividades executadas por estavam loge de me garantir uma boa experiência profissional. Resumindo: eu e o outro estagiário que atendia comigo naquele andar revesávamos nas atividades de rotina, como pegar jornais e correspondências no Departamento do Serviços Gerais, pegar processos no cartório (no térreo) e distribuí-los, assim como os jornais e correspondências, para os procuradores de justiça, sendo que os processos de hábeas corpus (réu preso) tinham que ser distribuídos com a maior celeridade possível, e por algumas vezes, dentre as muitas em que os elevadores não funconavam, me via puxando o carrinho de processos até o sexto andar.

Outra atividade que fazíamos, e a que detestava era a de pagar contas nos bancos para pagar contas dos procuradores. E na maioria das vezes quando chegava no Departamento de Transporte para algum motorista me deixa no banco, um ficava passando pro outro, como um bando de preguiçosos, e como tinha que ir para a escola na parte da tarde e considerando que filas em bancos são imprevisíveis, resolvia ir andando mesmo, o que era até um risco que assumia por preguiça dos outros, uma vez que carrega grandes quantias pela rua e podia corres risco de ser assaltado ou de sofrer alguma acidente. Mas o que importava era que eu sempre dava conta do recado. Ah! E o procurador que mais pediu pra eu ir ao banco era o Sr. Edmilson Fonseca... confesso que não suportava quando recebia a ligação da sua secretária, a Sr. Liliana.

E por sempre atender as expectativas me deu um certo transtorno, pois na maioria das vezes as secretárias dos procurados tinham preferiam que eu fizesse as coisas em vez dos outros, o que apesar de geralmente ter me apresentado sorridente me rendia momentos de muita exaustão.

Quanto à bolsa, bom, fico até desconcertado de dizer, mas acredite, era apenas R$ 150,00 e auxilio transporte (o procurador Vitach havia reduzido o valor das bolsas de estagiários quando assumiu a Procuradoria Geral de Justiça do MP). E pasmem, desse valor ainda era descontado uma quantia de restituição do auxilio tranporte, que mais tarde vieram a cancelar. Se isso serve para amenizar a notícia, quando estava perto de sair do MP o novo Procurador-Geral do MP aumento pra R$ 200,00 o valor da bolsa dos estagiários administrativos.

Eu e o outro estagiário ficávamos na sala da Sr. Maria Lebre (secretário do Procurador Thomé), pois na sala havia mais espaço, uma vez que não havia uma outra secretária (que seria do Procurador-Geral Vitach, que estava no sétimo andar). A Sr. Maria Lebre foi uma das pessoas mais especiais que conheci naquele prédio inteiro! Ela era muito bacana comigo e com o outro estagiário, sempre perguntando se nós precisávamos de alguma coisa, ou ajuda. E me lembro que, como nós comprávamos pão e café para os servidores numa padaria próxima, a Sr. Maria se irritava quando eu me recusava a aceitar comprar algo pra mim com o dinheiro dela... dizia que eu nunca aceitava nada. E de fato evitava o máximo a aceitar coisa de qualquer pessoa. Fruto de uma educação muito rígida por parte da minha mãe, que apenas com o olhar, quando eu era menor, me dizia pra negar qualquer coisa que alguem me oferecesse... hoje imagino que aquilo era um "orgulho de pobre".

A Sr. Maria Lebre era uma outra mãe naquele lugar, e não só pra mim como também para as pessoas que trabalhavam com ela. E por incrível que pareça era secretariava o procurador mais amistoso e simpático do Ministério Público. O Procurador Thomé era o único dos vários que se lembrava que era mortal, e que um dia teve educação. Apesar termos sido esclarecidos se sempre cumprimentar as pessoas no prédio, mesmo que não fossemos atendidos, o Procurador Thomé era o úncia que se antecipava, muito diferente de outros que se recusavam a retrbuir um bom dia, mesmo o cumprimento tendo sido feito num elevador. O respeito que o Procurador Thomé usava para com os outros era o mesmo dispensado aos estagiários, secretários e zeladores. Não me esqueço que eu e meu colega estagiário até fomos agraciados por ele com uma caixa de bombons de chocolate na véspera da Páscoa!

Uma situação desconcertante pela qual passei foi com o Procurador Miguel Mônico. A primeira vez que foi entregar processos pra ele, logo ao chegar na sala, eu perguntei se era a da secretaria do Sr. Miguel Mônico, quando então um senhor de terno e gravata se virou e disse que não havia nenhum senhor Miguel Mônico ali, e saiu. Confuso, eu olhei perdido para a secretaria... foi quando ela me falou que aquele senhor de terno era o próprio Miguel Mônico, mas que o mesmo fazia questão de ser chamado de "doutor". Desde então, enquanto estagiário, sempre chamei todos os procuradores de doutores. Hoje me recuso a chamar qualquer um de doutor, exceto se tiver algum doutorado.

No cartório da procuradoria encontrei duas pessoas muito bacanas, as senhoras Hayley e Roséli. Ambas muito competentes, sendo a primeria um poço de tranquilidade (não conseguia imaginar aquela mulher com raiva). Eram elas que nos ligavam pedindo para pegarmos os processos. Ao chegar elas nos mostrava as pilhas e nos davam um via de recebimento. Eram tantos que sempre usávamos os carrinhos que ficavam encostados no canto da sala.

Na Procuradoria de Justiça eu e o outro estagiário tínhamos que atender além dos Procuradores, as secretárias e os Assessores Jurídicos, sendo que em determinado período se encontrava por lá uma assessora que no futuro viria a ser minha professora de Processo Penal, a Sr.ª Marecélia, hoje associada ao advogado José Viana, que também foi membro do MP-RO e também foi meu professor de Processo Penal na Faculdade de Direito.

E foi nessa temporada de estágio no MP que aprendi a usar o termo "Muito ThankYou". A secretária no Procurador Ivo Bentiz, a Sr.ª Maristela (que ficava no quinto andar) costumava me agradecer assim, e desde então não me esqueci., e de vez em quando ainda falo também.

Outra coisa que eu detestava e só agora posso falar, é O Requentado. Praticamente todo o mês o Procurador Jackson Abílio inventava de renunir num papel algumas piadas inteligentes que mandava distribuir para inúmeras pessoas, tanto do estado como pra fora também. E imprimir e envelopar centenas desse papel sobrava para sua secretária, a Sr. Vera e a para os estagiários.

Apesar do estagio do MP-RO não ter me servido de quase nada depois que saí de lá, confesso que não me arrependo do período que estive lá, pois lá aprendi a cumprir horários, a ser mais educado, além de ter tido a oportunidade de participar do funcionamento de órgão que julgo ser o melhor do estado de Rondônia, tanto em estrutura quanto em organização. O prédio, que hoje está prestes a inaugurar uma novo torre, compreende inúmeros setores do MP-RO, como, além da Procuradoria Geral de Justiça, a Procuradoria, a Promotoria, os Cartórios, uma agência bancária, biblioteca, um super auditório, um avançado Departamento de Tecnologia e Informática, um Departamento Médico, e muito mais. Tudo isso são coisas que não vemos em qualquer órgão público, inclusive entidades como o DETRAN/RO deixam muito a desejar quanto à estrutura.... aliás, o DETRAN/RO deixa a desejar em muita coisa.

Nesse sucinto relato é possível comparar e constatar que vida de estagiário não é fácil, principalmente antigamente, uma vez que hoje os mesmos ganharam alguns direitos, sendo o melhor deles o das férias sem prejuízo da bolsa. Entretanto, pelo menos em Rondônia, enfrentamos uma situação muito séria quanto à admissão de estagiários em órgãos públicos. Não se o MP-RO ainda mantem a existência de uma seleção para compor seu quadro de estagiários administrativos e de ensino superior, mas hoje, no DETRAN/RO pelo menos, tenho conhecimento que não existe nenhuma seleção para admissão de estagiários. A regra é a indicação política, isto é, além de cargos em comissão usam vagas de estagio como meio de barganha política... e pior, uma entidade que imaginava ser séria é conivente com isso, o CIEE. Pensave que o Centro de Integração Empresa Escola servisse para selecionar estagiários para o órgão que a contrata, entretanto quem escolhe é o representante do órgão, que possivelmente manda o mesmo se cadastrar no CIEE por mera formalidade.

Na minha singela opinião isso é uma grande imoralidade para órgão/entidade da Administração Pública que adota essa prática. O mais sensato é que se haja um meio de selecionar estagiários sem privilégios, oras, além do MP/RO, MPF e da Defenoria Pública, órgãos do Judiciário também realizam concurso para ingresso de estagiários a muito tempo, como o TJ, o TRF, TRT, TRE. E com toda certeza, os problemas com indisciplina são bem menores quiçá nulos, nesses órgãos em vez do DETRAN/RO por exemplo, que insiste nessa forma nada justa de compor seu quadro de estagiário... o lado bom é que dentre esses alguns são bons. Mesmo porque, o DETRAN/RO, peca em outro ponto, no de em alguns casos não lotar estagiários de ensino superior para atuar nas suas devidas áreas de formação, mas nesse ponto o DETRAN/RO não é o único que peca.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é"

Essa frase foi dita algumas vezes por uma excêntrica professora de Psicologia Jurídica a qual tive o prazer de ter sido discente. A frase apesar de ser um pouco espalhafatosa tem todo um significado, pelo menos pra mim que percebi algum sentido.

Somente nós mesmos conseguimos mensurar e administrar a intensidade de nossos sentimentos ou os prós e os contras de sermos o que somos; o ônus e o bônus de mantermos nossas personalidades como elas são.

Eu até hoje ainda sou um mistério pra mim mesmo... Aos 23 anos de idade nem eu mesmo me conheço direito, a começar sou demasiado imprevisível e pra piorar sou cheio de excentricidades, que são às vezes mais toscas que esquisitas (como curtir vinhetas sonoras), mas também costumo ter uma espécie de temperamento flutuante, pois de uma hora pra outra posso mudar totalmente dependendo da pessoa que me estressar com alguma coisa, ou mesmo que fizer algo que de alguma forma me ofendeu ou que eu reprove. Mas também costumo me arrepender de algo que fiz por impulso... Como de ter excluído meu perfil de mais de 5 anos de existência e quase 5000 fotos. Na verdade não me arrependo de tê-lo excluído, mas sim de algumas coisas que criei e mantinha com ele, como comunidades e tals, além de pouquíssimas pessoas que realmente valiam a pena tê-las como "amigas" naquela Rede Social.

Mas além de tudo isso algo que tem sido um grande entrave na minha vida é a grande dificuldade de constituir amizades. Quer dizer, tenho muitos colegas, mas amigos mesmo praticamente não tenho.

Sei que posso até me arrepender de escrever tudo isso, ou que talvez isso me arranje algum momento futuro bem desconcertante... mas qualquer maneira, como dizia eu costumo sair muito por aí, mas geralmente sozinho, porém tenho o péssimo hábito de me sentir deslocado em lugares novos e muito agitados, além de sempre achar que estou sendo analisado e criticado pelos pessoas ao meu redor... É quase uma paranóia que não consigo evitar.

Apesar de agora perceber que não é muito saudável andar sem uma companhia saudável, encontro um grande empecilho em mim mesmo para mudar esse hábito, pois evito sair em companhia de alguém por achar que estou a incomodando, seja por ela estar possivelmente fazendo algo que não gosta (mas que aceita por delicadeza), ou por achar que as pessoas tem de alguma forma vergonha de andarem comigo... Não entendo o porquê, mas isso passa pela minha cabeça. Sozinho tenho maior liberdade de andar pra onde quero e demorar o quanto precisar sem me preocupar com nada, diferente de caso esteja acompanhado, pois sempre terei que me policiar para não incomodar. Apesar de não parecer, algo que não gosto é impor a minha presença às pessoas, por isso evito estar em companhia delas... Pois assim imagino estar privando-as de serem indelicadas comigo, ou que façam um esforço tremendo para me tolerar.

Uma solução para tudo isso seria encontrar alguém que tivesse os mesmos comportamentos e estilo de vida que eu, mas infelizmente suponho que não exista... Pelo menos não encontrei ainda.

Num sei se isso seria uma qualidade, mas pelo que vejo ao meu redor está mais para um defeito, pois não é muito aceito pela sociedade em que vivo, estou falando do meu costume de reclamar muito das coisas que acho errado e requerer soluções, às vezes me expondo e indispondo com muita gente... Apesar de alguns colegas dizerem que admiram essa postura e que a acham correta, os mesmos evitam tomar uma postura se quer semelhante, mesmo que sofram diretamente com alguma irregularidade ou que sejam obrigados a participarem... Nesse último até eu me vejo assim, mas só não “jogo nada no ventilador” para não expor ninguém ainda mais. Mas a postura desses colegas eu sinceramente não entendo... É algo tão contraditório.

Esse blog é testemunha de algumas de minhas reclamações e críticas, mas ao ver que às vezes também sou condenado por alguns por reclamar, além de ser tido como chato e muitas das vezes também ignorado, me sinto muito desmotivado... Inclusive estou pensando em parar com isso, pois talvez assim (sendo omisso) eu consiga ser igual e aceito pela a maioria, já que é assim que as coisas funcionam.

Só sei que esse estilo de vida insosso de ter ótimo relacionamento social apenas com colegas, bem como de sair por aí sozinho com uma câmera tirando fotos a torto e a direito de lugares por onde ando a fim de divulgar essa cidade que geralmente vira as costas pra mim... Estou pensando seriamente em parar com isso... Espero que consiga, afinal é a única coisa que me distrai e diverte, entretanto não me trás muita felicidade. Tanto que já até comecei a excluir meus principais álbuns de fotos da cidade na Internet... Quanto ao canal de vídeos, ahhh esse fiquei com pena, e talvez nem o exclua, até penso em fazer mais vídeos, porém mais esporadicamente e com o novo estilo de produção amadora, mas adianto que não se surpreendam se por acaso vêem algum vídeo meu produzido às antigas, pois como venho dizendo sou muito complicado mesmo, e posso acabar mudando de idéia em relação a isso.

Como o título dessa postagem sugere só eu mesmo deveria saber “a dor e a delícia de ser o que sou”, mas eu nem consigo me entender direito; sou tão fora do comum. Só sei que continuando assim vou perdendo momentos bacanas da minha vida que deixo de usufruir; de viver... Mas o que fazer? Mudar um estilo de vida formado por tanto tempo, mesmo que pouco empolgante é muito difícil! Mas vou tentar, e espero desesperadamente lograr êxito.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

【RïVeR】Meu mundinho, Minha vidinha



Nesse vídeo apresento imagens das algumas coisas que fiz e lugares que lugares em que fui (nada de muito estravagante) que por sua vez me renderem alguns momentos de distração e satisfação.

Coloquei a música How To Save A Life (Instrumental), The Fray. Ouvi essa música pela primeira vez no encerramento de um episódio da série Arquivo Morte (Cold Case) e gostei muito, por isso coloquei nesse vídeo, porém em versão instrumentalizada.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Turma D-76 [2006.1] da Faculdade de Rondônia - FARO【S.RÏVER】



Depois de cinco longos anos é com imenso prazer que fiz este vídeo com algumas recordações da turma de Direito 76 da FARO que deixou de existir exatamente em 16 de dezembro de 2010 quando finalmente Colamos Grau nos sendo outurgado o título de Bacharéis em Direito.

A turma foi constituída no início do primeiro semestre do ano de 2006, e desde então fiz parte dessa turma, ao contrário de muito colegas que se juntaram a nós posteriormente. A Faculdade de Ciências Humanas, Exatas e Letras de Rondônia - FARO fica razoavelmente distante do perímetro urbano de Porto Velho, mais exatamente na Rodovia BR-364 sentido Cuiabá-MT, sendo que por boa parte de meus estudos me deslocava para o campus de ônibus, cujo itinerário dele era "Ulisses Guimarães via BR" (tempos difíceis, mas memoráveis).

Infelizmente não tive grandes vínculos de amizade com todos da turma, mas fico contente de ter encontrado algumas pessoas que realmente me farão muita falta... pessoas que tive a grata oportunidade de conhecer e me relacionar. Só espero fazer parte das lembraças delas tanto quanto elas farão parte das minhas.

Os últimos momentos na faculdade foram intensos pra mim, mas imagino que pra todos nós, até então acadêmicos. Foram muitas horas de atividades complementares a serem compensadas; audiências a serem assisitidas para o Núcleo de Prática Jurídica; a conclusão do Artigo; displinas normais a serem assistidas, com direito a provas e tudo; apresentação do Artigo junto à banca... enfim, foi muito intenso mesmo!

Entretanto todos esses "perrengues" foram superados no dia 16 de dezembro de 2010, quando em meio a uma solenidade emocionante fomos graduados. Hoje somos bacharéis em Direito, e a minha única esperança; meu único desejo e que Deus nos mostre um caminho a seguir e que ilume sempre nossas mentes para que façamos um bom trabalho.

Parabéns aos ex-acadêmicos da D-76, e aos demais que se formaram nesse dia memorável para todos nós!
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IN ENGLISH (Translation by GOOGLE):
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After five long years is with great pleasure that made this video with some memories of the Class of Law 76 of FARO who left there at exactly December 16, 2010, when finally We glue outurgado Degree and was the title of Bachelor of Laws.

The gang was formed early in the first half of 2006, and since then I was part of this group, unlike many colleagues who joined us later. The Faculty of Humanities, Exact Sciences and Letters of Rondônia - FARO is fairly far from the urban area of Porto Velho, more precisely in the way BR-364 Cuiabá-MT, and a good part of my studies I moved to the campus bus , where his itinerary was "Ulysses Guimarães by BR" (hard times, but memorable).

Unfortunately I did not have great bonds of friendship with all the class, but I'm glad to have found some people who really make me miss ... people who had the chance to meet and interact. I just hope part of their memories as they will be part of mine.

The last moments in college were intense for me, but I think for all of us, until then academics. There were many hours of additional activities to be compensated; hearings to be assisitidas for the Center for Legal Practice, the conclusion of the article; displinas normal to be assisted, with the right evidence and all, presentation of the Article together with banking ... Finally, it was very intense!

However all these "hassles" were resolved on 16 December 2010, when amid an emotional ceremony were graduates. Today we are law graduates, and my only hope, my one desire and that God will show us a way forward and that always illuminated our minds so we can do a good job.

Congratulations to former students of the D-76, and others who graduated that day memorable for us all!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Meus tempos de PoFeIrO

Finalmente foi concluído o relatório da Pesquisa de Orçamentos Familiares realizada pela Fundação IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no período de 2008 a 2009.


Particularmente fico feliz de ver o resultado de um trabalho no qual tive participação ativa em sua execução entrevistando muitas famílias, sempre contando com muitos colegas APM's (Agentes de Pesquisa e Mapeamento) que trabalharam tanto quanto eu, cientes de relevante importância dessa pesquisa para o Brasil.

Logo que fui chamado para trabalhar no IBGE a Sr.ª Ângela (coordenadora das pesquisas do IBGE em RO) me lotou na Pesquisa de Orçamentos Familiares, uma vez que o IBGE realiza um vasto número de pesquisas entre domiciliares, econômicas, etc. E como POF começara a caminhar, os APM's contratados anteriormente já estavam no treinamento em Ouro Preto d'Oeste/RO, enquanto eu tive que me virar com o manual aqui em Porto Velho. Porém não fiquei sozinho por muito tempo na capital. Poucos dias depois  mais três APM's foram admitidos.

Em Rondônia, assim como em todos os estados da Federação, o IBGE tem uma UE - Unidade Estadual (administração), que em Rondônia divide o estado em quatro macro regiões que contam com uma agência do IBGE vinculada a UE-RO na capital, sendo tais agências sediadas nas cidades de Porto Velho, Ji-Paraná, Cacoal e Vilhena. A agência de Porto Velho por exemplo abrange todos os municípios do Norte e Noroeste do Estado.

Com os APM's de Rondônia já distribuídos a pesquisa começou a ser de fato executada junto aos domicílios, lembrando que primeira Listagem (procedimento pelo qual é feita a escolha dos domicílios que participaram da pesquisa) já havia sido feita antes de eu chegar no IBGE.

A pesquisa tinha duração de 09 dias, e todo início de semana os agentes recebiam, em forma de alternada, uma média de 02 domícilios para entrevistarem. Sendo que o número máximo que nós pegávamos por semana era de 04 famílias/domicílios por semana, o que ocorreu principalmente no último ano da pesquisa ou quando as famílias eram de outros municípios.

A coleta da pesquisa era feita como auxílio de um notebook, mas haviam quem fizesse com os questionários de papel, além de uma balança e um estadiômetro para pesar e medir todos os moradores de cada domicílio escolhido para participar da pesquisa.



E foi justamente no andamento da POF que vivemos muitas situações ilárias e outras nem tanto...

Primeiro que no começo o IBGE disponibilizava veículos para os agentes se dirigirem aos domicílios entrevistados, mas depois tivemos lançar mão do serviço de transporte coletivo urbano, surgindo a figura do “Leva Eu Corporativo”. Leva EU é um cartão no qual são carregadas passagens para utilizar os ônibus em Porto Velho. O IBGE adquiriu alguns cartões e os distribuía para os agentes de pesquisa a fim de que pudessem visitar os entrevistados.

Vivemos verdadeiras aventuras. Em Candeias do Jamari/RO, em companhia de Daniele e Carlos, ao terminarmos os trabalhos o carro do IBGE resolveu não pegar de jeito nenhum. O que nos fez empurrar o bendito carro para que ele pegasse na marra (detalhe, era aproximadamente meio dia e debaixo de um sol escaldante), mas nada. Foi então que chamamos um mecânico que fez uma gambiarra provisória, o que nos permitiria chegar em Porto Velho desde que não desligássemos o carro ou não o deixasse morrer.

Os carros do IBGE Rondônia, pelo menos quando estive por lá, eram verdadeiras máquinas mortíferas. Latas velhas que não eram dignas de serem de uma entidade federal. A porta de um deles se abriu sozinha com o veículo em movimento, matando a Léa (agente das pesquisas econômicas) de susto, pois quase que quase caíra do carro.

Muitos municípios sob abrangência da agência de Porto Velho receberam a POF, eu particularmente entrevistei famílias em quatro viagens a Guajará-Mirim, duas a Jaru, uma a Nova Mamoré, e uma outra em Theobroma (exatamente no distrito de Palmares). Nessas viagens pudemos perceber peculiaridades do interior do estado. Em Guajará por exemplo não existem ruas. Na verdade todas as tranqüilas vias urbanas da cidade são tidas como avenidas, mas isso é apenas um detalhe, pois a cidade tem muito mais a oferecer, uma vez que tem belos atrativos culturais e naturais, que eu fiz questão de pelo menos alguns registrar.




Na minha viagem para Theobroma tive que exercitar muuuito a minha paciência, pois as quatros famílias/domicílios que eu entrevistava moravam no distrito de Palmares, longe cerca algumas dezenas de quilômetros da sede do município. Nas datas marcadas acordava cedo para pegar ônibus de linha (aquele que não é de tão boas condições, e onde se transporta junto com pessoas animais e ferramentas). Chegando em Palmares ainda pela manhã visitava os quatro domicílios, e terminava tudo às 12h, porém para eu retornar a sede do município tinha que esperar o ônibus de retorno que só passava ás 16h. Para não ser tão tediante andava pelo distrito, mas o povoado é muito pequeno e tem poucos atrativos. Haja paciência para ter ficado naquela rodoviária improvisada olhando para teto até que a condução chegasse.


Na minha primeira ida a Guajará-Mirim adotei o hábito ir às casas dos meus informantes a pé, e quando terminei a visita a um dos que ficavam mais distantes do centro da cidade, ao avistar a Serra dos Parecis resolvi ir até lá, pois parecia estar muito próximo pra mim, mas tudo não passou de uma ilusão de ótica. Quanto mais andava mais a serra de distanciava, e como já estava muito longe para retornar continuei prosseguindo. Exausto cheguei na porta de entrada do parque, porém para chegar até o alto da serra tive mais uma longa caminhada. Chegando lá fiquei deslumbrado com vista, e ainda tive pique para subir em uma das antenas desativadas da Embratel que tem lá em cima. Tirei altas fotos!




Na última viagem a Guajará decide procurar o conhecido igarapé Palheta nas horas vagas, e nessa procura peguei uma das “avenidas” da cidade e segui até uma região alagadiça que havia visto no mapa. Segui até o término da rua e onde começava uma trilha. Enquanto caminhava no meio do mato vi várias vitórias-régias em um dos lagos. Resolvi tirar fotos, sendo que para uma delas fiquei de costas para o lago, a fim de que as flores aparecessem atrás de mim. Após clicar ouvi um barulho na água, que quando virei estava em movimento. Não vi nada por perto e resolvi sair dali. Chegando num barracão de madeira havia um senhor arrumando uns tijolos, que pareciam ter sido confeccionados naquele local. Comentei com ele se haviam animais ali por perto, e ele disse que era muito comum encontrar jacarés e cobras nos lagos, e disse mais, tempos atrás haviam encontrado um cadáver humano por ali também. Conversei por algum tempo, tirei algumas fotos do local e retornei para hotel.



No retorno das viagens, já na agência em Porto Velho, passávamos os dados obtidos (quando utilizávamos questionário de papel) para o sistema, que ficava nos computados do “L” (uma das salas da UE de Rondônia que tem a forma da letra), a fim de que posteriormente fossem os dados analisados pelos supervisores, e em seguida pela coordenadora, e só então as informações eram enviadas para o banco de dados da matriz do IBGE no Rio de Janeiro.


Uma das situações mais desconcertantes era quando tínhamos que visitar os informantes á noite, uma vez que precisávamos adaptar nossos horários aos dos informantes, de maneira que não os atrapalhasse. E em uma dessas visitas, em Jaru, eu cheguei a ser expulso por uma criança, cuja sua mãe ameaçou dar-lhe umas palmadas depois que eu saísse, pela sua falta de educação. Uma colega compareceu no horário marcado pela informante, mas sem querer acabou atrapalhando a mesma que na ocasião estava recebendo uma outra visita, mas amorosa.

Quando agentes de pesquisa, a fim de garantir maior comodidade aos informantes tínhamos que ajustar nossos horários, bem como sacrificar feriados e fins de semana, inclusive eu cheguei a visitar domicílios no Natal, tendo em vista que era a única oportunidade em que encontraria todos os informantes do domicílio para entrevistá-los, pesá-los e medi-los.

Outra situação constrangedoras ocorria durante as pesquisas (principalmente no interior), pois como pesquisa trata de despesas e rendimentos, tínhamos que perguntar a procedência bem como a aquisição de certos produtos e serviços, como preservativo ou lubrificante íntimo, anticoncepcional, despesas com motel, arma de fogo, etc. Muitos davam um sorriso amarelo e respondiam, mas mesmo explicando direitinho percebíamos que muitos mentiam em suas respostas.

A listagem era a parte mais exaustiva, uma vez que precisávamos visitar várias casas de um determinado setor (geralmente do tamanho de um bairro inteiro), para cadastrar cada domicílio num banco de dados a fim de que posteriormente fossem escolhidos dali, aleatoriamente e no Rio de Janeiro, os domicílios que participariam da POF. E para a Listagem necessitávamos identificar o tipo de domicílio e pegar o nome da pessoa de referência.

E era aí onde encontrávamos certa dificuldade. Muitas pessoas exitavam dar o nome, mesmo nos apresentando com o colete e crachá do IBGE, quando não simplesmente se recusavam a nos receber. E foi numa dessas que ao chegar no portão de uma casa, percebi certa movimentação pela janela, quando veio até mim um garotinho de uns 2 anos para me dizer que não tinha ninguém em casa, mas mesmo assim eu perguntei: - Hum, não tem ninguém em casa? Então vai chamar sua mãe! E o garoto retornou gritando: - Mããããe o homem que falar com a senhora! A mãe do garoto chegou até o portão com expressão de desconcertada a mal-humorada, porém não se recusou a dar seu nome.

Diferente de outra situação com um de meus colegas, em que depois dele explicar a indagação da informante sobre o porque dela ter que dizer o seu nome, a mesma resolveu não colaborar. Porém naquele momento sua vizinha impaciente chegara e disse: - Dá logo o nome pra ele “Maria” (acho que era esse o nome). Meu colega anotou, agradeceu e prosseguiu com os trabalhos.

Não posso deixar de falar de uma situação que me deu muita dor de cabeça (minha colega Lucilene que o diga). Sempre quando íamos para outro município nossos supervisores compravam as passagem de ônibus rodoviários de ida e volta em aberto com o Cartão Corporativo do Governo Federal, sendo que até então não tinha tido problema, mas em certa viagem a Guajará-Mirim, nos últimos dias da minha estadia por lá fui à rodoviária agendar meu regresso, porém tinha que chegar a capital o mais cedo possível, só que para isso teria que trocar o bilhete por uma mais barata, o que fiz, pois imaginei que o reembolso ao IBGE seria o suficiente, porém preferi ligar pra um colega pra falar o que fizera. Ele me aconselhou a pegar o bilhete recebido ainda na capital de volta, e foi o que tentei fazer, porém, como estava em aberto foi vendido a outra pessoa. Aí ferrô! Fiquei o tempo todo muito preocupado por causa da besteira que fiz, e tinha que comunicar imediatamente a Sr.ª Ângela do ocorrido, mas era sábado. Passei todo o fim de semana pensativo, só imaginando na bronca que iria levar, bem como, e principalmente, o que mais me atormentava era ter decepcionado a senhora Ângela, pois tinha grande respeito por ela e sua consideração era demasiadamente importante pra mim. Já na segunda-feira a comuniquei imediatamente, e ela determinou que eu pegasse uma declaração da passagem dizendo os valores e datas em que fora comprada a primeira passagem na capital, o que fiz. Chegando em Porto Velho ela não brigou comigo, mas me disseram que ela não havia recebido minha ligação de Guajará com muita tranqüilidade.

Na segunda fase de Listagens participei de algumas em Candeias e em muitos bairros de Porto Velho, sendo um deles no Teixeirão. Onde tive um setor todinho só pra mim. Entretanto foi um dos meus piores momentos, pois essa listagem acontecia simultaneamente com a execução da POF, o que me fez acumular o acompanhamento de dois domicílios meus, e mais dois de outra agente que viajou e eu fui escalado para encerrar. E como não há nada ruim que possa piorar, os meus domicílios ficavam na região central de Porto Velho, os outros dois na Zona Sul e o setor da listagem na Zona Leste. Foi uma maratona, mas deu tudo certo. Terminei as entrevistas e conclui a listagem dentro do prazo.

Gostei muito do meu tempo de APM, principalmente pelas pessoas muito especiais que conheci, mas também pelas minhas descobertas e pelas experiências e oportunidades que a POF me proporcionou. Mas também tivo momentos de raiva e decepção, e um deles era o modo como os Agentes de Pesquisas eram tratados por alguns servidores efetivos do IBGE, foram poucas mais ofensivas as manifestações em que nós, temporários, eramos menosprezados pelos servidores efetivos. O que pra mim era uma grande grosseria e ignorância, tendo em vista que são os agentes de pesquisa quem movimentam o IBGE, sem falar que todos concorreram em concurso público para estarem lá, sem falar ainda que os temporários tem grande importância para o IBGE, tanto que muitos agentes agentes de pesquisas têm mais conhecimentos e maior desempenho na execução das pesquisas do IBGE que muitos estatutários.

O IBGE deveria contratar servidores estatuários como regra, e não como exceção, isto é, deveria ser criado para a fundação os cargos efetivos de agentes de pesquisa, uma vez que o IBGE é um órgão de pesquisa, e sempre se faz necessário os serviços desses profissionais, porém o que ocorre é o gasto desnecessário de dinheiro público com a realização de concurso público para agentes temporários, o que chega a ser inviável pois muitos candidatos classificados e aprovados desistem de ingressar no quadro, e outros depois que entram logo logo saem para ocupar cargos melhores em outros órgãos públicos do município, estado ou União, além dessa rotatividade de funcionários temporários influenciarem significativamente na qualidade das pesquisas, isto é, um APM que já está dominando o conhecimento e a execução de determinada pesquisa em andamento (POF, PNAD, PENSE, SINAPI...), é convocado para outro cargo público (que geralmente é muito melhor que ser APM no IBGE) e deixa a fundação, que por sua vez vai convocar outro APM aprovado, o qual terá que treinar, e possivelmente até ter o mesmo domínio que o outro, a pesquisa já tenha acabado, prejudicando, e muito, a qualidade da pesquisa.

O presidente o IBGE esteve a Porto Velho pouco tempo depois que eu saí da fundação para ocupar um cargo estatutário estadual (em maio de 2009), e com certeza o ilustre presidente da fundação IBGE viu pessoalmente as condições lastimáveis do prédio que abriga a UE de Rondônia (possivelmente a mais horrível de todas as UE's do Brasil), porém parece-me que o presidente não se importou de saber que um prédio que carrega o nome da fundação que preside esta em tão péssimo estado, pois até hoje a UE de Rondônia continua do mesmo jeito feio de sempre.


Outro ocorrido repugnante foi o seguinte: uma empresa que administra um conhecido site de notícias se recusou a prestar informações ao IBGE, chegando a serem demasiadamente grosseiros com os agentes de pesquisa, quiça teriam infringido o art. 331 do CPB (desacato a servidor público no exercício da função). Diante do ocorrido os APM's retornaram à agência do IBGE e noticiaram o ocorrido ao supervisor (geralmente um servidor efetivo do IBGE, o que era o caso deste), que foi à empresa para explicar da necessidade e obrigatoriedade da prestação de informações ao IBGE (pelo menos era o de se esperar), entretanto infelizmente o que aconteceu no local foi nojento. O servidor efetivo não soube explicar defender os interesses do IBGE e descaradamente chegou inclusive a menosprezar os APM's que estavam com ele diante dos informantes, por causa da condição de temporários (e o que também me irritou foi os agentes de pesquisa terem ficado quietos diante da cena). Resumindo, o servidor que deveria representar e defender os interesses da fundação IBGE abaixou a cabeça e “colocou o rabo entre as pernas”.

É um absurdo saber que um servidor efetivo federal do IBGE desmoraliza os APM's (temporários) na frente de informantes. Além de idiotice isso é burrice, primeiro que ele e qualquer um não tem autoridade e direito para desmoralizar um funcionário temporário, segundo, essa postura só contribui para a crescente postura dos informantes em se recusar a prestar informações do IBGE, isto é, um servidor que age assim demostra também a falta de compromisso para como a entidade em que trabalha pois prejudica a execução da atividade fim da mesma.

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VÍDEOS



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POF 2008/09 mostra desigualdades e transformações no orçamento das famílias brasileiras

A família brasileira gasta, em média, R$ 2.626,31 por mês, e as do Sudeste gastam mais (R$ 3.135,80), quase o dobro das famílias do Nordeste (R$ 1.700,26) que têm a menor despesa. Desigualdade semelhante é encontrada entre a despesa média nas áreas urbana (R$ 2.853,13) e rural (R$1.397,29). Já o rendimento médio mensal do País alcançou R$ 2.763,47, a as desigualdades regionais permanecem: o menor rendimento (Nordeste, R$ 1.764,62) é quase a metade do mais alto (Sudeste, R$ 3.348,44).

Essas são algumas informações da primeira divulgação da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008/09, que visitou cerca de 60 mil domicílios urbanos e rurais, entre maio de 2008 e maio de 2009. Há dados sobre despesas, rendimentos (monetários ou não) e variação patrimonial, além da avaliação das famílias sobre as próprias condições de vida. São detalhados, ainda, os gastos com Habitação, Alimentação, Transporte, Saúde, Educação, Impostos, Contribuições trabalhistas, Pagamento de dívidas etc., segundo diferentes faixas de rendimento das famílias. Há comparações com a POF 2002/03 e o Estudo Nacional da Despesa Familiar (ENDEF) 1974/75

O peso dos principais grupos de consumo nas despesas familiares mudou bastante desde os anos de 1970.

A Alimentação, por exemplo, teve queda acentuada entre o ENDEF 1974/75 (33,9%) e a POF 2002/03 (20,8%), mantendo a redução até 2008/09 (19,8%). Na área rural, as participações da Alimentação tambémforam se reduzindo, respectivamente, de 53,2% para 34,1% e, depois, para 27,6%. Nos mesmos períodos, o peso da Habitação cresceu de 30,4% para 35,5% e, depois, para 35,9%. Sua evolução rural foi mais significativa: de 17,8% (ENDEF 1974/75) para 28,7% (POF 2002/03) e 30,6% (POF 2008/09).

Em seis anos, a participação urbana da alimentação fora do domicílio nos gastos com alimentação subiu de um quarto (25,7%) para um terço (33,1%), e a rural subiu de 13,1% para 17,5%.

No Brasil, a despesa média per capita dos 10% das famílias com os maiores rendimentos (R$ 2.844,56) era 9,6 vezes a dos 40 % com menores rendimentos (R$ 296,35). Essa disparidade constatada pela POF 2008/09 está menor que seis anos antes, quando era de 10,1 vezes. Ainda em relação a essas duas classes de rendimentos, a região mais desigual foi a Nordeste (11,3 vezes), e a menos desigual a Sul (6,9 vezes).

A pesquisa também constatou uma melhoria na relação entre as despesas e o rendimento das famílias. Em 2002/03, os 85,3% das famílias com os menores rendimentos tinham, em média, despesas superiores ao que recebiam mensalmente. Já em 2008/09, eram os 68,4% com os menores rendimentos que estavam nessa situação.

Era de quase 207% a diferença entre a despesa média mensal de famílias em que a pessoa de referência possuía menos de um ano de estudo, para aquelas com a pessoa de referência tendo 11 anos ou mais de estudo. Mas houve expressiva redução dessa disparidade: na POF 2002/03 ela era cerca de 400%.

A despesa de famílias com a pessoa de referência de cor branca estava 89% acima das despesas das famílias com pessoa de referência de cor preta, e 79% acima daquelas com pessoa de referência de cor parda. Nesses casos, em seis anos houve movimentos opostos: em relação à POF 2002/03, essas diferenças eram de 82% e de 84%, respectivamente.

Pela segunda vez, a POF investigou a percepção subjetiva da população sobre alguns aspectos da sua qualidade de vida. Em 2008/09, cerca de 75,2% das famílias declararam algum grau de dificuldade para chegar ao final do mês com o rendimento que recebiam. Em 2002-2003 esse percentual foi de 85,0%.

Mesmo na percepção subjetiva há desigualdades segundo as classes de rendimento: na classe com rendimentos até R$ 830, cerca de 88% indicaram algum grau de dificuldade; na classe com rendimento acima de R$10.375, somente 28% informaram ter algum grau de dificuldade. A seguir, as principais informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008/09.

Família brasileira gasta, em média, R$ 2.626,31 por mês

Segundo a POF 2008/ 2009, a família brasileira gastava, em média, R$ 2.626,31 por mês. As do Sudeste são as que gastam mais (R$ 3.135,80), perto do dobro do valor médio dos gastos mensais do Nordeste, onde as famílias gastam menos (R$ 1.700,00).

No Sul e no Sudeste, as famílias de menor rendimento mensal (até R$ 830) gastam em média mais do que recebem (R$ 929,75 e R$ 831,67, respectivamente).



Entre as unidades da federação, o Distrito Federal tinha a maior despesa média total, R$ 3.963,99, cerca de 50,9% acima da média nacional (R$ 2.626,31). Em seguida, vinham Santa Catarina (R$ 3.509,58) e Rio de Janeiro (R$ 3.386,78). Alagoas (R$ 1.223,94), Ceará (R$ 1.431,96) e Maranhão (R$ 1.466,96) tinham as menores despesas.

Além das desigualdades regionais, há também uma grande diferença entre a despesa média mensal familiar nas áreas urbanas (R$ 2.303,56 e 8,6% maior que a média), e a das rurais (R$ 1.220,14 e 46,8% inferior à média).

Em seis anos, melhora a relação entre despesas e rendimentos das famílias

A pesquisa também constatou uma melhoria na relação entre as despesas e o rendimento das famílias. Em 2002/03, os 85,3% das famílias com os menores rendimentos tinham, em média, despesas superiores ao que recebiam mensalmente. Já em 2008/09, eram os 68,4% com os menores rendimentos estavam nessa situação.


A tabela acima mostra as despesas e os rendimentos totais segundo vários grupos de rendimento, além da distribuição acumulada das famílias entre esses grupos. Até o grupo com rendimentos entre R$ 1.245 e R$ 2.490, as despesas médias totais superavam os rendimentos médios. Nos grupos seguintes, ocorria o inverso.

Gastos cotidianos são 92,1% das despesas; aumento de patrimônio, 5,8%

Em 2008/ 2009, as despesas correntes, que são os gastos cotidianos das famílias, representavam 92,1% da despesa total média mensal, ou o equivalente a R$ 2.419,77. A maior parte desse valor se referia às despesas de consumo - com alimentação, moradia, educação, transportes, entre outros -, que somavam em média R$ 2.134,77 (81,3% da despesa total). As outras despesas correntes (impostos, contribuições trabalhistas, pensões, mesadas, doações etc.) consumiam em média, por mês, R$ 285 (10,9% do total).

Com o aumento de ativos (compra de imóveis, construção e melhoramento de imóveis próprios e outros investimentos como títulos de capitalização, títulos de clube, aquisição de terrenos para jazigo, ou seja, o aumento do patrimônio familiar), as famílias gastavam em média, por mês, R$ 152,09 (ou 5,8% da despesa total). O valor gasto com diminuição do passivo (pagamento de dívidas) ficava numa média mensal de R$ 54,45 (2,1% do total).

O Sul tinha a maior participação do aumento de ativos no orçamento das famílias (8,3% frente à média de 5,8%).

Nas áreas rurais, trocas, pagamentos em bens e benefícios da casa própria são 20,8% do total das despesas

No que diz respeito à divisão das despesas em monetárias e não monetárias1 (84,8% e 15,2% do total na média do país), há uma diferença significativa na comparação urbano/ rural. Na área urbana, a despesa não monetária tinha participação média de 14,7%, enquanto na área rural representava 20,8% do total dos gastos familiares mensais.

A tabela abaixo resume as principais informações sobre a composição das despesas familiares.



Em 34 anos, percentual gasto com aumento de patrimônio cai a menos da metade

Entre 2002/03 e 2008/09, a POF mostra mudanças nas participações dos grandes grupos no total das despesas (tabela abaixo), assim como algumas reversões de comportamento. Em relação ao Endef 1974/ 1975 (Estudo Nacional da Despesa Familiar) as alterações muito expressivas também estão relacionadas ao longo intervalo de tempo decorrido (mais de 30 anos) e às muitas mudanças de hábitos das famílias no período.

Para o grande grupo das despesas correntes, entre 2002/03 e 2008/09 verifica-se redução de participação na estrutura de despesa total, de 93,3% para 92,1%. Em relação ao Endef, quando a participação era de 79,9%, deu-se o inverso: aumento de 12,2 pontos percentuais. Movimento parecido ocorreu com as despesas de consumo - 81,3% do total de gastos em 2008/09; 82,4% em 2002/03; e 74,6% em 1974/75. Para as outras despesas correntes (10,9%), entre as duas POFs houve estabilidade, e forte crescimento em relação a 1974/75 (5,3%).

O aumento do ativo tinha participação de 5,8% em 2008/09 e reverteu movimento anterior, crescendo em relação a 2002/03 (4,7%). Em relação ao Endef (16,5%), foi o grupo com a maior queda entre as despesas das famílias. Já a diminuição do passivo mostrou-se estável em relação a 2008/09 (2,1%) e 2002/03 (2,0%), mas reduziu-se em relação ao Endef (3,6%), houve redução em torno de 42%. Nos recortes urbano e rural, a situação se repete.



Consumo representa 81,3% das despesas das famílias

As despesas de consumo são o mais importante componente das despesas das famílias e representam 81,3% do total (ou R$ 2 134,77) nacional. O valor médio das despesas de consumo na área rural (R$ 1.220,14) correspondeu a 57,2% da média nacional e a 53% da urbana (R$ 2.303,56).



As despesas de alimentação, habitação e transporte corresponderam a 75,3% da despesa de consumo média mensal das famílias brasileiras, ou a 61,3% da despesa total. Na Alimentação (19,8%) a proporção rural (27,6%) superou a urbana (19%). Na Habitação (35,9%) deu-se o inverso: urbana (36,4%) e rural (30,6%).

Na tabela abaixo, comparações entre as despesas das famílias das classes de rendimentos de até R$ 830,00 e de R$ 10.375,00. Destacam-se as despesas com Assistência à Saúde: para classe até R$ 830,00, os remédios pesam 4,2%, ou 76,4% do dispêndio com saúde, contra 1,9% na classe oposta. Já a participação de plano/seguro de saúde foi de 2,4% na classe com os maiores rendimentos, contra 0,3% na classe oposta.

Em seis anos, as despesas médias com Alimentação e Transportes se igualaram

As participações dos grupos de consumo (inclusive urbano e rural) tiveram alterações expressivas na série histórica. A Alimentação, por exemplo, teve queda acentuada entre o ENDEF (33,9%) e a POF 2002/03 (20,8%) e prosseguiu em redução até 2008/09 (19,8%). A Habitação teve crescimentos significativos entre o ENDEF (30,4%) e a POF 2002/03 (35,5%), mantendo o aumento até 2008/09 (35,9%), sendo que evolução rural foi mais significativa, desde o ENDEF (17,8%) às POF 2002/03 (28,66%) e 2008/09 (30,6%).



Cresce a participação da alimentação fora de casa no orçamento das famílias

A POF 2008/09 revelou que as famílias estão gastando bem mais com alimentação fora de casa do que gastavam em 2002/03. O percentual das despesas com alimentação fora de casa, no total das despesas das famílias, cresceu de 24,1% para 31,1%, nesse período, ou seja, já representa quase um terço dos gastos com alimentos. Na área urbana, passou de 25,7% para 33,1%, e na área rural de 13,1% para 17,5%. Em reais, a despesa com alimentação na área urbana em 2008-2009 foi 145,5% maior que o da área rural.



A análise regional aponta que o maior percentual com alimentação fora do domicílio ocorreu na Região Sudeste (37,2%), enquanto os menores percentuais ocorreram nas Regiões Norte (21,4%) e Nordeste (23,5%).

Em valores, a despesa média mensal familiar com alimentação foi de R$ 421,72, sendo R$ R$ 290,39 gastos com alimentação no domicílio e R$ 131,33, na alimentação fora do domicílio. Nas famílias com rendimentos mais altos (acima de R$ 10.375,00), a proporção da despesa com alimentação fora do domicílio (49,3%) é praticamente igual à despesa com alimentação no domicílio (50,7%).

Famílias com maiores rendimentos gastam quase dez vezes mais que as famílias com renda menor

No Brasil, os 40 % de famílias com menores rendimentos possuíam despesa total per capita de R$ 296,35, e os 10% com maiores rendimentos, de R$ 2 844,56. No País a distância média da despesa per capita desses dois grupos foi de 9,6 vezes. Na área rural, a disparidade foi de 10,3 vezes. Em 2002-2003, a disparidade no País era de 10,1 vezes e, portanto, reduziu-se em 0,5 vez


 
Entre as regiões, a maior despesa média familiar per capita, tanto entre os 40% com menores rendimentos quanto entre os 10% com maiores rendimentos foi do Sul (R$ 406,00 e R$2.799,00, respectivamente) e a menor, no grupo com menores rendimentos, do Nordeste (R$233,00). Ainda no grupo com menores rendimentos, a despesa per capita do Sul era 74% maior que a do Nordeste.
 
 

Entre as famílias com maiores rendimentos, o Norte tinha a menor despesa média per capita (R$2.094,00) e o Sul, a maior (R$2.799,00). Nesse grupo, a despesa per capita do Sul era 33% maior que a do Norte.

A região mais desigual foi a Nordeste (distância de 11,3 vezes entre despesas médias per capita das duas classes de rendimento), enquanto a menos desigual foi a Sul (6,9 vezes). Entre as POF 2002/03 e 2008/09, essa desigualdade reduziu-se no Sul, Centro-Oeste e Nordeste, e ficou quase estável nas demais regiões.

Escolaridade também altera o padrão de consumo das famílias

Quanto mais anos de estudo tinha a pessoa de referência da família, maiores eram as despesas médias mensais. Para famílias em que a pessoa de referência possuía menos de um ano de estudo, a despesa média mensal foi de R$ 1.403,42. Nas famílias com pessoa de referência com 11 anos ou mais de estudo, esse total foi quase 207% maior (R$ 4 314,92). Em relação à POF 2002/03 houve expressiva redução dessa diferença, que era cerca de 400%.



A existência de pessoas com nível superior completo ou incompleto no interior da família, mesmo não sendo a pessoa de referência, produzia efeitos semelhantes: nas famílias em que não havia pessoa com nível superior completo ou incompleto, a despesa total média mensal era de R$ 1.659,99. Já naquelas com uma pessoa com nível superior completo ou incompleto, a despesa subia para R$ 4.296,05 (mais 160%); e nas famílias com mais de uma pessoa, subia para R$ 8.117,27 (390% maior que o primeiro extrato). Embora persistam, essas acentuadas diferenças estão menores, em relação a 2002/03 (190% e 430% respectivamente).

Na análise por cor ou raça, a diferença entre as despesas das famílias também era grande



A despesa de famílias com a pessoa de referência de cor branca estava 28% acima da média nacional, e 89% acima das despesas das famílias com a pessoa de referência de cor preta, além de 79% acima das famílias com pessoa de referência de cor parda. Em relação à POF 2002/03, as diferenças percentuais entre famílias com pessoa de referência branca e preta cresceram (de 82% para 89%). Já a diferença entre famílias com pessoa de referência branca e parda teve redução (de 84% para 79%).

As famílias com pessoas de referência do sexo masculino tinham despesa média mensal (R$ 2.800,16) em torno de 7% acima da média nacional (R$ 2.626,31) enquanto a despesa média das famílias com pessoa de referência do sexo feminino (R$ 2 237,14) era 15% menor. A diferença entre os dois estratos aumentou: era de 15% na POF 2002-2003 e foi para 20% na POF 2008-2009.

Famílias com altos rendimentos gastam com alimentos três vezes mais que a média nacional

As despesas com alimentação representam 16,1 % da despesa total e 19,8% das despesas de consumo das famílias brasileiras. Os resultados da POF 2008/09 para o grupo alimentação no domicílio confirmaram as desigualdades no perfil de consumo das famílias. O valor em reais dos gastos com alimentação das famílias com maiores rendimentos (R$ 1.198,14) é quase o triplo da média nacional e quase seis vezes o das famílias com menores rendimentos (R$ 207,15).

Famílias de todas as regiões gastam mais com carnes, vísceras e pescados

O grupo de alimentos carnes, vísceras e pescados lidera os gastos com alimentação, tanto na média do País (21,9%) quanto nas áreas urbana (21,3%) e rural (25,2%). A seguir, na área urbana, vêm Leites e derivados (11,9%), Panificados (11,0%) e Bebidas e infusões (10,0%). Na área rural, vêm Cereais, leguminosas e oleaginosas (13,1%), Leites e derivados (8,7%) e Aves e ovos (8,5%).

Entre 2002/03 e 2008/09, o percentual de gastos das famílias com carnes, vísceras e pescados cresceu de 18,3% para 21,9%, no total de gastos com alimentação no domicílio, enquanto o de leite e derivados caiu de 11,9% para 11,5%, bem como o de panificados, que passou de 10,9% para 10,4%. Caíram, também, os gastos com cereais, leguminosas e oleaginosas (10,4% para 8,0%); açúcares e derivados (5,9% para 4,6%) e aves e ovos (7,1% para 6,9%). Cresceram os gastos com frutas (4,2% para 4,6%) e bebidas e infusões (8,5% para 9,7%).

Rendimento médio mensal estava em R$ 2763,47

Segundo a POF, o rendimento total e a variação patrimonial das famílias brasileiras foi de R$ 2.763,47. O rendimento proveniente do trabalho era responsável pela maior parte desses valores (61% do rendimento total e R$ 1.688,00 da variação patrimonial). Do rendimento do trabalho, 70,7% pertenciam a recebimentos provenientes de empregados, fossem eles públicos, privados ou domésticos, e 20,2% dos que trabalhavam por conta própria.

Em relação a 2002/03, não ocorreram transformações significativas na composição do rendimento de trabalho familiar dos brasileiros – exceto quando consideramos a participação do rendimento dos empregadores, que foi reduzida em mais de dois pontos percentuais (de 11,7% em 2002/03 para 9,1% em 2008-2009) no período.

A segunda maior participação no rendimento médio familiar provinha das transferências2 (18,5%), com destaque para as aposentadorias e pensões governamentais. Em 2008/09, elas representaram mais de 80% das transferências, dos quais 55% foram provenientes do Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS). No outro extremo estavam os programas sociais federais, que representaram apenas cerca de 3% das transferências. Essas últimas são destaque dentre as transferências das famílias com rendimentos mais baixos.

O rendimento não-monetário detinha a terceira participação (12,8%) na composição registrada pela POF, sendo mais significativo entre as famílias com menor rendimento3. Para estas, correspondia a 25,8% do rendimento total médio. Já para as famílias com os rendimentos mais altos, representavam apenas 6,7%.

Os rendimentos de aluguel (de bens móveis e imóveis) e as outras rendas apresentaram as menores contribuições na composição do rendimento total e da variação patrimonial (1,7% e 1,6%, respectivamente).

Composição das transferências é diferenciada entre famílias com mais baixos e mais altos rendimentos

Cerca de 12,5 milhões de famílias brasileiras tinham recebimentos de até R$ 830. Para elas, o rendimento do trabalho era o principal componente (46,3%). As transferências vieram logo em seguida, com 26,7%. No que se refere às transferências recebidas, as aposentadorias e pensões do INSS (58%) e os programas sociais federais (23%) responderam pelas maiores parcelas. Ressalte-se que o rendimento não-monetário tinha quase a mesma participação (25,8%) que as transferências.

Em 2008/09, cerca de 4% das famílias brasileiras possuíam recebimentos superiores a R$ 10.375. Entre elas, a maior participação dos rendimentos também era proveniente do trabalho (60,5%), com o recebimento de transferências em segundo lugar (com destaque para as aposentadorias e pensões da previdência pública). Diferentemente das demais classes de rendimento, a variação patrimonial foi a terceira fonte de recursos (9,9%) mais importante para essas famílias, e não os rendimentos não-monetários.

Rendimento das famílias urbanas é duas vezes maior que o das rurais

O rendimento total somado á variação patrimonial das famílias urbanas (R$ 2.999,98) é praticamente duas vezes maior que o das famílias rurais (R$ 1.481,91). Na tabela abaixo, os detalhes do rendimento.



As famílias com recebimentos mensais de até R$ 830,00, urbanas ou rurais, tiveram como principais componentes o rendimento do trabalho, as transferências e o rendimento não-monetário. Nas áreas rurais, os programas sociais federais foram responsáveis por 33% das transferências. Nas áreas urbanas, por 20%.

Já para as famílias com recebimentos superiores a R$ 10.375, a variação patrimonial possuiu participações significativas tanto na área urbana (9,9%) quanto na rural (11,6%), ficando acima dos rendimentos não-monetários.

Famílias do Sudeste e Sul têm rendimentos acima da média

Os maiores rendimento total e variação patrimonial médio, na comparação entre as grandes regiões, ocorreram no Sudeste, seguido pelo Sul – as duas únicas regiões a terem registrado percentuais acima da média nacional (cerca de 21% e 10,3%, respectivamente). No entanto, apenas o Sul apresentou valores superiores à média brasileira em todas as categorias de origem de recebimentos. Por outro lado, a região com menores rendimento total e variação patrimonial foi o Nordeste (R$ 1.764, cerca de 63,5 % da média nacional), seguido pelo Norte (76% da média).

A participação dos rendimentos provenientes do trabalho foi maior que 60% em quatro das cinco regiões. A única exceção era o Nordeste (57,8%). Já a maior participação ocorreu no Centro-Oeste (66,4%) e no Norte (65,5%). As transferências, por sua vez, tiveram maior participação no rendimento das famílias nordestinas (22,5%), percentual acima do verificado nas áreas rurais (20,5%). Em termos da distribuição do rendimento não-monetário, Norte (16,6%) e Nordeste (15,5%) superaram o peso do componente na média nacional (14,6%).

Em relação a 2002/03, a POF 2008/09 revela alterações nas participações de dois componentes: transferências e rendimentos não-monetários. Nas cinco regiões houve aumento das proporções de transferências e diminuição da parcela não-monetária do rendimento, o que indica maior número de famílias incluídas no mercado monetário.



Melhora a percepção subjetiva das famílias sobre seus rendimentos a alimentação

A Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009 investigou a percepção da população sobre alguns aspectos da qualidade de vida através de um questionário específico e com respostas subjetivas aplicado no último dia de entrevista em cada domicílio. As famílias indicaram um de seus membros para responder as perguntas subjetivas sobre a facilidade para chegar ao final do mês com os rendimentos familiares e a avaliação da suficiência e do tipo do alimento consumido. Esta foi a segunda vez em que o questionário subjetivo foi apresentado, a primeira foi na POF 2002/03.

Em 2008/09, 64,5% das famílias declararam ter alimentos em quantidade suficiente para chegar ao fim do mês, contra 53% em 2002/03. A POF também investigou se as famílias consumiam (sempre, nem sempre ou raramente) seu alimento preferido: em 2002/03, 73,2% declararam alguma insatisfação, contra 65% em 2008/09.

75% das famílias declararam algum grau dificuldade para chegar ao fim do mês com seus rendimentos. Na classe com rendimentos até R$ 830, cerca de 88% indicaram algum grau de dificuldade e 31,1%, muita dificuldade. Na classe com mais de R$ 10.375, 28% tinham algum grau de dificuldade e 2,6%, muita dificuldade.

As percepções da quantidade de alimentos são mais favoráveis que em 2002/03, mas as desigualdades regionais são marcantes. No Norte e Nordeste, cerca de 50% das famílias referiram insuficiência na quantidade de alimentos consumidos, contra cerca de 60% em 2002/03.

Para 64,8% das famílias do país e 74% das rurais, o tipo de alimento consumido nem sempre ou raramente era o preferido. Declararam sempre consumir alimentos do tipo preferido 27,7% das famílias do Norte, 25,7% do Nordeste, 44% do Sul, 37,9%, do Sudeste e 40,6% do Centro-Oeste. Maranhão e Piauí (21%) tinham os menores percentuais, e Santa Catarina (47%) o maior.
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1 Tudo o que é produzido, pescado, caçado, coletado ou recebido em bens (troca, doação, retirada do negócio e salário em bens). Inclui também o aluguel estimado pelo proprietário do domicílio. As valorações das despesas não monetárias foram realizadas pelos próprios informantes, considerando os preços no mercado local.
2 aposentadorias e pensões públicas e privadas, bolsas de estudos e programas sociais de transferência de renda.
3 A construção das classes levou em conta o rendimento monetário e não-monetário e a variação patrimonial.

Comunicação Social - IBGE
23 de junho de 2010